Um destes jovens, que usa o nome fictício de Antonio, relata seu episódio com a polícia, onde um policial o humilhou com tapas no rosto e epítetos. (Aparentemente, humilhações sofridas por jovens afro-descendentes nas mãos de policiais não tiram o sono de nenhuma autoridade importante no governo do Estado.)
Eu sei bem o que muitos destes jovens passam. Lembro-me perfeitamente uma das muitas experiências (negativas) que tive com a polícia de São Paulo quando morava na Capital, no começo dos anos 80.
Voltando da “balada”, e esperando o ônibus no terminal Pq. D. Pedro II, uma madrugada fui rudemente abordado por um policial que não só me agrediu verbalmente, como também colocou sua arma no meu rosto. Enquanto o policial me humilhava, as lágrimas corriam pelo meu rosto. Ali estava eu, um jovem cidadão brasileiro, estudante universitário, trabalhador, esperando a condução para ir para casa, sendo humilhado exatamente porque eu era afro-descendente. Qual outra explicação?
A sociedade insiste em não ver, mas raça é fator determinante para que a polícia o pare para pedir identificação. (Anos mais tarde, era abordado porque, ora dirigia uma motocicleta, ora um carro. Negro não tem direito a ascender socialmente no nosso país sem causar suspeitas.)
Assim como muitos destes jovens, eu também cresci acreditando que vivíamos em uma Democracia Racial, mas todos os meus encontros com a polícia, a partir dos meus 18 anos de idade, mostraram-me que esta historia de Democracia Racial era um mito para ser exportado para o exterior, e não para ser vivido por jovens afro-descendentes dentro do país.
Lendo relatos como os destes jovens na Folha, fico triste e penso num refrão de um sucesso do cantor Michael Jackson dos anos 90: “They Don’t Care About Us. (Eles Não Se Importam Conosco).
O Palco
O guichê da bilheteria vende diariamente perto de 300 mil dólares de tíquetes. Vendas pelo método antecipado com cartão de crédito estão chegando aos 22 milhões de dólares, (vendas com cartão de credito online ainda são minúsculas em nosso país) e a peça está sendo encenada com o teatro praticamente lotado em um dos maiores teatros da cidade.
Para os leitores com menos de 40 anos de idade, “A Cor Púrpura” foi um grande sucesso (sem nenhum Oscar) dos anos 80 dirigida pelo diretor Steven Spilberg, baseada em livro da escritora Alice Walker, estrelando a versátil Whoopi Goldberg e o grande ator Danny Glover.
Particularmente não sou muito fã de musicais. A ultima vez que vi um na Broadway foi nos anos 90. (A Bela e a Fera)
Com uma patrícia visitando a cidade, resolvi levá-la para ver este musical junto com alguns amigos. A escolha não poderia ter sido melhor. Com uma produção de primeira e números musicais que fazem você querer sair de seu assento para juntar-se ao elenco no palco, este musical merece todas as nomeações que recebeu para o premio de melhor musical do ano. (O premio Tony)
Oprah Winfrey, a rainha das tardes na tv americana, certamente sabia o que estava fazendo quando associou-se a esta magnífica produção.
Se você estiver em Nova York, e tiver a oportunidade de ver um musical, “A Cor Púrpura” certamente será uma ótima escolha.

Edson Cadette