Ex-sindicalista, três vezes deputado federal e agora senador da república, ele ficou conhecido como o “Cidadão no Legislativo”. Durante o III Seminário Estadual Caminhando para a Igualdade Racial, realizado sexta-feira, 12/08, Paim falou à Afropress sobre o Estatuto da Igualdade Racial e a crise política, entre outras coisas. Confira!
Afropress – O que os negros podem esperar do Estatuto da Igualdade Racial?
Paulo Paim – Eu tenho dito que aquilo que não foi conquistado em 13 de maio de 1888, com a dita Lei áurea, nós vamos conquistar agora. Eu entendo que o estatuto poderá ser aprovado este ano e sancionado no dia 20 de novembro. Nós vamos participar da Marcha Zumbi + 10, que deve ser no meio de novembro, provavelmente no dia 16, pressionando o congresso para que efetivamente o estatuto seja aprovado. O Estatuto trata de políticas públicas do campo da educação, da saúde, da habitação, do trabalho e aí vem um debate importantíssimo das cotas, como as cotas do negro na mídia. Trata também da terra dos remanescentes dos quilombos, garantindo a titularidade de mais de cinco mil quilombos neste país.
Afropress – Quais os principais benefícios do Estatuto?
Paulo Paim – Entre alguns deles eu destacaria a titularidade das terras dos quilombolas. A política de cotas também estaria contemplada, inclusive cota na mídia. Como será importante para a auto-estima da comunidade negra ver, no papel principal de uma novela, de um filme, ou de um programa de televisão, negros e negras em plena atuação. Coisa que se vê muito pouco neste país. Além da política de cota na mídia, a política de cota na universidade. Já avançamos em Brasília, no Paraná, em Mato Grosso do Sul, na Bahia, no Amazonas e no Rio de Janeiro. O Estatuto no seu conjunto é uma peça, para mim, tão revolucionária e tão positiva que eu teria que falar de cada um dos mais de cem artigos, pois todos são importantes.
Afropress – Como estão os trabalhos no Centro de Integração Paulo Paim (CIPP)?
Paulo Paim – O CIPP continua promovendo eventos como esse, por isso trouxemos aqui o Netinho para dar seu depoimento de apoio à aprovação rápida ao estatuto da igualdade racial. Também continua fazendo atividades diárias, principalmente com as crianças pobres de vila trabalhando com um projeto chamado Cantando a Diferença, que é um projeto de fortalecer as pessoas com deficiência baseado no Estatuto do Deficiente, fortalecer o idoso baseado no Estatuto do Idoso e fortalecer a igualdade racial baseado no Estatuto da Igualdade Racial. E também fortalecer outros estatutos, que embora não sejam de minha autoria, são importantes, como o Estatuto da Criança e do adolescente, o Estatuto das Mulheres, o Estatuto dos Índios e o próprio Estatuto da Cidade pela política humanitária que ele traz em seu conjunto.
Afropress – Qual a sua opinião sobre os atuais escândalos envolvendo o governo Lula?
Paulo Paim – As denúncias feitas devem ser investigadas, quer seja pela Polícia Federal, Ministério Público ou mesmo pelas três CPIs já instaladas. E esse resultado da investigação vai apontar quem for culpado, e o culpado deve ser punido. O que não podem é querer condenar 100% dos petistas pelos atos equivocados de 0,5%, que foi aquela cúpula que cometeu erros. Esses devem ser punidos, sejam membros da direção, deputados ou senadores.

Guilherme Póvoas