S. Paulo – A estilista Glória Coelho, uma das expoentes da São Paulo Fashion Week, mandou e-mail à Redação de Afropress explicando o teor das declarações feitas ao Jornal Folha de S. Paulo, em que afirma que a adoção de cotas para modelos negros proposta pelo Ministério Público Estadual “pode interferir na obra do estilista”, e que considera natural que os negros participem do evento “costurando, fazendo modelagem, como vendedoras e assistentes”. “Por que têm de estar na passarela?” se perguntava.
“O que disse ao jornalista é que não tenho problema nenhum em relação a Negros, não teria problema nenhum em realizar um desfile só com Negros, Já tive e tenho negros no meu casting, a rejeição com modelos brancas é muito maior do que modelos negras, uma vez que no casting vem muito mais modelos brancas do que negras pelas agências, e muitas não são selecionadas, disse que colocaria negras, desde que as agências enviassem meninas que se adequem ao perfil do desfile (cada desfile tem um tema)”, afirmou.
A promotora Déborah Kelly Affonso, do Grupo Especial de Inclusão Social, quer que as grifes que participarão da SPFW este ano adotem cotas. Inquérito civil instaurado para apurar a prática de racismo no evento do ano passado, apurou que dos 344 modelos apenas 2,3% eram negros.
A estilista considerou absurda a hipótese de que tenha preconceito contra negros. “Quanto a preconceito, não posso ter preconceito com negros, mesmo porque tenho avô negro, tenho varios colaboradores negros que executam coisas lindas na minha empresa e uma das pessoas mais especiais na minha vida é uma negra, que está comigo a mais de 20 anos”.
Mesmo assim, ela se alinha ao discurso dos que defendem a meritocracia. “Não acredito em cota, acredito em mérito, se você é inteligente, você entra em uma faculdade, se você é especial, você desfila, independente da cor. Peço desculpas se meu comentário foi mal interpretado e estou a disposição para maiores esclarecimentos”, finalizou.

Da Redacao