Vitória/ES – A empregada doméstica Elza da Conceição dos Santos, 48 anos, libertada por força de um Habeas Corpus impetrado pela Promotora de Justiça Marlusse Daher, agindo como cidadã comovida com o drama da mulher, disse a repórter Cláudia Feliz, da Gazeta On Line, de Vitória, que ainda está abalada com os três dias no Presídio Feminino, de Tucum, em Cariacica.
“Estou feliz por ser solta, mas meu coração está ferido. Olhe pra mim. Alguém com a minha cor pode ser racista? Só sei que o que eu passei foi horrível. Chorei muito, orei muito, senti vergonha de estar presa. Pensava que aquilo não era um bom exemplo que eu estava dando para os meus filhos. Nunca mais quero voltar para um presídio. As próprias presas diziam que aquele não era lugar pra mim. Quando soube que podia ficar até três anos presa, pedi misericórdia a Jesus”, contou.
Ela também nega a ofensa ao motorista. “O ônibus estava muito cheio, e eu, com o pé machucado, fiquei no degrau do meio. Falei para duas meninas que passassem, porque tive medo que pisassem no meu pé, mas a porta do ônibus ficou aberta. Eu disse ao motorista que fechasse a porta, porque não entraria mais ninguém. Ele disse que eu estava atrapalhando, e eu pedi que ele tivesse paciência, porque, assim que pudesse, eu subiria mais um degrau. Ele insistiu e então falei: ‘Você está com esses óculos pretos e não está enxergando como este ônibus está cheio’. Ele me pediu para repetir, eu repeti, e então me falou: ‘Você sabia que isso dá cadeia’? Eu disse que não era nada disso, que eu era da cor dele, que nunca iria ser racista com ninguém. Mas ele levou o ônibus para a polícia. O pessoal do ônibus ficou irritado. No DPJ, ele e uma menina, que o apoiou,foram ouvidos. E acrescentou que já foi discriminada, não agredida, mas “nunca reagi”.
Quanto a encontrar com o motorista Welber Honorato, disse que não tem a menor intenção de fazê-lo. “Sinceramente, não. Prefiro deixá-lo em paz. Meu coração está muito ferido. Ele deve ser pai de família, ter filhos como eu, e deve saber como dói uma situação como essa.”
Quem é Marlusse Daher
A promotora de Justiça, Marlusse Pestana Daher, que, por meio de um Habeas Corpus, conseguiu a libertação da doméstica é ex-dirigente do Centro de Apoio do Meio Ambiente do Ministério Público do ES; membro da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, Conselheira da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Vitória – ES, Produtora e apresentadora do Programa “Cinco Minutos com Maria” na Rádio América de Vitória – ES; escritora e poetisa, Especialista em Direito Penal e Processual Penal, em Direito Civil e Processual Civil, Mestranda em Direitos e Garantias Fundamentais.

Da Redacao