S. Paulo – Jornalistas alinhados ao Governo Federal e ao PT, entre os quais nomes de expressão como Luiz Nassif e Paulo Henrique Amorim, além da rede de blogueiros ligados ao Partido, desencadearam uma campanha sem tréguas contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, o primeiro negro a chegar à Presidência da Corte, relator da Ação Penal 470 – o mensalão.

Barbosa é chamado, por exemplo, jocosamente de “BarBOZO”, por Danilo Camargo, um dos mais ativos da campanha, militante do PT de Santos, e de “Torquemada tupiniquim” [numa referência a Tomás de Torquemada”, responsável pela perseguição desencadeada pela Igreja Católica durante o período da inquisição]. O jornalista Luiz Nassif (foto), no seu blog, também já chamou Barbosa de “o Torquemada do Supremo”.

 Racismo velado

A campanha que, em alguns casos adquire viés abertamente racista, começou com ataques a Barbosa pelo fato do ministro ter saído de férias sem expedir o mandado de prisão contra o deputado João Paulo Cunha – condenado por corrupção e peculato.

Barbosa, que está em Paris, defende-se: "É bom que os brasileiros saibam o seguinte: a figura do presidente do STF não se confunde com o STF. Está havendo uma tremenda personalização de decisões que são coletivas, mas que querem transformar em decisões de Joaquim Barbosa", afirmou a jornalistas.

Embora relator do processo que resultou na condenação da cúpula do PT – alguns dos quais presos na Penitenciária da Papuda, as decisões foram tomadas pela maioria dos 11 ministros do STF, porém, a campanha “personifica” a decisão como se o ministro tivesse sido o único a decidir e o Supremo não fôsse um colegiado.

Tanto Carmem Lúcia, quanto Ricardo Lewandowski, que assumiram o cargo (este último permanece até o retorno do presidente do STF) passaram a adotar entendimento de que cabe ao relator, no caso o próprio Barbosa, o decreto de prisão.

Novo tom

Esta semana a campanha anti-Joaquim Barbosa adquiriu um novo tom: o ministro passou a ser acompanhado a cada passo e até mesmo o pagamento de diárias por ter interrompido as férias para representar o Tribunal em palestras a instituições como a Sorbonne, a Universidade mais importante da França, vem sendo questionado.

Uma foto tirada nas Galeries Lafayette, em Paris, foi apresentada com a seguinte manchete pelo Brasil 247, que se apresenta como “o primeiro jornal desenvolvido para o Ipad, outros tablets e smarphones” e que tem linha editoral francamente favorável ao Governo e ao PT: “A imagem de Barbosa em Paris: o diabo veste prada”, diz o Brasil 247.

O jornal questiona “o fato de ser pago pelos contribuintes para desfrutar “la vie em rose”, ignorando que o ministro se encontra de férias, a que tem direito como agente público.

Nunca antes um ministro do Supremo Tribunal Federal em férias recebeu tratamento semelhante. O texto ainda ironiza: “Com seu elegante chapéu e um terno bem cortado, risca de giz, Barbosa passa pelo caixa. A vendedora parece espantada com a compra. E Barbosa a olha com um certo ar de superioridade”.

Blog da Dilma

O Blog da Dilma – que se apresenta como o maior portal da Dilma Rousseff – na Internet – adota linha de hostilidade aberta e já chegou a postar charges do ministro consideradas racistas.

No caso das diárias, de cerca de R$ 14,1 mil, o Presidente do STF disse que está em Paris para participar de encontros políticos e uma conferência representando o STF, e que para isso interrompeu as suas férias. O ministro tem direito às diárias porque tem agenda oficial como presidente do STF, o que seus detratores não informam confundindo a opinião pública. As diárias referem-se ao período de 20 a 30 de janeiro em que o ministro representa a corte em compromissos oficiais em Paris e com uma palestra no King’s College, de Londres.

"Eu acho isso uma coisa muito pequena. Veja bem, você viaja para representar o seu país, para falar sobre as instituições do país, e vocês estão discutindo diárias. Quando na história do Brasil o presidente do poder judiciário teve as oportunidades que eu tenho de viajar pelo mundo para falar sobre um poder importante da República?", perguntou Barbosa ao falar aos jornalistas, em Paris.

Barbosa foi o relator do processo em que foram condenados José Genoíno, Delúbio Soares e o ex-ministro José Dirceu, todos da cúpula do PT e atualmente recolhidos a Penitenciária da Papuda, em Brasília.

O ministro saiu de férias no dia 06 de janeiro depois de encerrar o caso nos crimes de corrupção e peculato. A ministra Carmem Lúcia o substituiu até o dia 20/01, mas não determinou a prisão, o mesmo ocorrendo com Ricardo Lewandowski, que fica no cargo até o início de fevereiro quando o presidente do STF retorna de férias.

Ataques

Barbosa já havia sido alvo de ataques pesados de uma figura expressiva do movimento negro: o ex-ministro da SEPPIR, deputado Edson Santos, do PT do Rio, ligado ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, hoje cumprindo pena na Papuda. Para o deputado, Barbosa não agiria como juiz, mas como como candidato. “Ele vai contra tudo o que o Brasil avançou em luta racial”, disse, acusando o presidente do STF de ter "sido capturado pela mídia".

"Isto só revela as reais posições de cada um de nós. A mídia acabou capturando Joaquim Barbosa para o seu projeto. Como principal partido de oposição, a mídia vê que Barbosa serve ao seu projeto. E Barbosa assume esse ar de celebridade que nada tem a ver com a função de presidente do STF", critica. O deputado jamais atacou qualquer outro presidente do STF.

Questionado sobre a possibilidade de Barbosa ser realmente candidato, o deputado reagiu: "Acho que ele já se comporta como candidato. Já sinaliza que é uma opção política. Ele tem todo direito de fazê-lo, mas terá a minha mais dura e firme oposição", concluiu.

 

Da Redacao