Rio – “Aqui estamos porque lá estivemos, na luta contra a ditadura, por um país livre e democrático”. Com essa declaração e “vivas” dos companheiros que o esperavam no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio, retornou nesta terça-feira (21/07), ao Brasil, Antonio Geraldo da Costa, o “Neguinho”, ou “Tigre”, o último militante político à voltar do exílio.
Na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial realizada no mês passado, em Brasília, militantes negros que combateram a ditadura militar e figuram na lista de mortos e desaparecidos, foram homenageados numa iniciativa da Secretaria Especial de Direitos Humanos e da Seppir.
Militância
“Neguinho”, o ex-marinheiro, hoje com 75 anos, participou de ações armadas, incluindo assaltos a bancos, e resgate de presos políticos como integrante de organizações de esquerda que combateram a ditadura pela via armada, nos anos 60.
Estava exilado na Suécia, onde vivia desde 1.972, com a identidade de Carlos Juarez de Melo, com a qual obteve nova cidadania, casou-se, teve dois filhos e trabalhou como cozinheiro para frades e auxiliar em um asilo de velhos.
Ele hesitava em voltar, porque por conta das torturas sofridas quanto esteve preso, temia voltar pois imaginava que, mesmo depois da anistia poderia ser preso. Ao mesmo tempo não assumia a própria identidade temendo que as autoridades suecas o extraditassem. caso revelasse o nome verdadeiro.
Entre os antigos companheiros presentes à chegada estavam os presidentes da Unidade de Mobilização Nacional pela Justiça (Unma), ex-marinheiro José Alípio Ribeiro, e do Movimento Democrático pela Anistia e Cidadania (Modac), ex-marinheiro Raimundo Porfírio Costa, além do advogado Modesto da Silveira e a amiga Eliete Ferrer, em cuja casa Neguinho ficará hospedado “até arrumar um apartamento”.

Da Redacao