Arraial do Cabo/Rio – Lideranças do Movimento Negro organizado do Estado estiveram reunidas neste sábado (21/07) em Arraial do Cabo, à 180 quilômetros do Rio, para a II Plenária Itinerante, que tem como objetivo aprofundar a discussão sobre Reparações, bem como discutir as políticas de ação afirmativa no Brasil.
A estrutura de organização é composta pela Coordenação Nacional, Coordenação em cada Estado e Comissão Organizadora local, nas bases municipais onde ocorrem as plenárias itinerantes além de coordenação política nacional.
O Encontro deste sábado, uma das etapas do Congresso Nacional de Negras e Negros do Brasil, que tem sido priorizado nas agendas de centenas de pessoas, ansiosas por construir um dos momentos, que consideram dos mais importantes da luta anti-racista deste país. Foi realizado das 9h às 17h, no Centro Cultural Manoel Camargo, na Avenida Litorânea s/n – Centro de Arraial do Cabo.
Temática
Tendo como tema “Estratégia para a Construção de um Projeto Político do Povo Negro para o País”, o Congresso é uma ação de militantes organizadas (os) e entidades em, praticamente, todas as regiões do país, simultaneamente. A principal meta é difundir por toda a sociedade qual é a situação de discriminação, preconceito e racismo no Brasil. As lideranças negras entendem que é preciso redefinir o Brasil como nação pluriétnica e multicultural.
Pela primeira vez está se construindo uma concentração política que visa reunir todas as grandes entidades nacionais, as articulações e as redes construídas pela diversidade de grupos e organizações negras nas últimas décadas. O Congresso é, segundo os organizadores, um dos mais importantes momentos da história do Movimento Negro brasileiro. O próximo encontro será no dia 04 de agosto em Volta Redonda.
“Necessitamos estabelecer ferramentas teóricas, políticas e organizativas para o avanço do Movimento negro Brasileiro. Elaborar um projeto político com novas estratégias para a superação do racismo no Brasil, onde seja possível a convivência democrática, fraterna e a justiça. É preciso redefinir o Brasil – revelou Dolores Lima, coordenadora do CETRAB (Centro de Tradições Afro-Brasileira).
Aberto nos dias 20, 21 e 22 de abril, em Belo Horizonte, o Congresso de Negros e Negras segue até 2008. Em várias etapas, as Comissões Executivas Estaduais vêm promovendo discussões em todo o país, mobilizando a militância para a construção do projeto, que venha atender aos anseios do povo negro como educação, saúde, moradia, emprego, sobrevivência, terras quilombolas e cotas raciais entre outros objetivos.
Na Assembléia de Minas Gerais participaram cerca de quatrocentas pessoas entre delegadas(os), convidadas (os) e observadoras (es), dos seguintes estados: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
Para as lideranças negras envolvidas no Congresso, a necessidade de construção desse novo projeto, fica a cada dia mais evidente, pois apesar de o povo negro avançar em sua luta, acumulando importantes vitórias, a condição de vida desta população, a cada dia ganha contornos mais degradantes. Embora a ciência e a tecnologia criem condições de melhor combater doenças como: falta de alimentos, tragédias ecológicas, moradias precárias e outras, os índices negativos no Brasil se mantêm inalterados. A expectativa dos responsáveis pelo congresso é que todas as entidades, grupos, organizações e especialmente o conjunto da militância negra e anti-racista do Brasil participem deste grande fórum.
“A sociedade tem que ser reestruturada para ser capaz de incorporar todas e todos que construíram este país. Uma reestruturação da sociedade com base no princípio de que a linha de chegada para negras(os) ou não seja a mesma”, conclui Dolores.

Da Redacao