S. Paulo – Um dos co-autores do livro “Divisões Perigosas” da antropóloga Yvonne Maggie, que lidera a luta contra as ações afirmativas e as cotas no Brasil, o advogado José Roberto Militão passou a fazer campanha aberta contra o Fórum SP da Igualdade Racial, coordenado pelo presidente da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP Marco Antonio Zito Alvarenga.
Numa longa carta a deputados e numa tentativa de sabotar os avanços obtidos pela pressão feita pelo Fórum, formado pela Rede Educafro, Movimento Brasil Afirmativo, Sindicato dos Comerciários, Instituto do Negro Padre Batista e dezenas de outras entidades, Militão, que também é membro da CONAD, acusa “ativistas afro-brasileiros localizados em S. Paulo, com forte vínculos e empregos com os “demos” (ex-PFL) e com a oposição política dos governos Kassab e Serra com vista as eleições municipais e pretensões presidenciais e estaduais em 2.010″, de forçarem a votação do Estatuto para desgastar o Governo Lula.
“Tais interesses estão bem evidenciados com o comando da articulação para exigir a votação dos projetos a qualquer custo, mesmo cientes da fragilidade de apoio parlamentar”, acrescenta, sem citar nomes.
Sem compromisso com os fatos, Militão, que tem sido um dos mais convictos adversários da aprovação do Estatuto vai além, e chega a ver o interesse da votação do projeto até mesmo na direção da OAB/SP. “Estejamos certos a quem interessa a derrota dos projetos de leis raciais: é certo que interessa a movimentos do tipo “Cansei” dirigido também pela direção da OAB/SP que repudiam as políticas sociais do atual governo e pregam mais rigor na repressão criminal, inclusive a redução da idade penal e aumento da internação de menores infratores e ao mesmo tempo, exige garantias aos direitos dos criminosos de “colarinho branco”. Interessa à oposição política que não prorrogou a CPMF para dificultar a melhoria da saúde pública e as obras do PAC. Interessa a quem deseja inviabilizar as políticas afirmativas que tem sido implementadas nas comunidades quilombolas e em diversos setores da sociedade e interessa a quem deseja enfraquecer a Ministra Matilde Ribeiro”, discursa.
O advogado, que já foi Secretário Geral do Conselho da Comunidade Negra do Estado de S. Paulo e é membro fundador do PSB, chega a apelar ao presidente da Câmara Arlindo Chinaglia, a ministra Matilde Ribeiro, ao senador Paulo Paim (PT-RS), autor do projeto do Estatuto, e aos deputados Vicente Paulo da Silva, Janete Pieta, ambos do PT de São Paulo, e Carlos Santana, do PT do Rio, para que não sejam “inocentes úteis”.
Delírio
O coordenador da CONAD, Marco Antonio Zito Alvarenga, não foi encontrado para responder os ataques de Militão ao Fórum, porém, o jornalista Dojival Vieira, do Movimento Brasil Afirmativo, disse que a atitude de Militão é explicável: “É puro delírio. Trata-se do desespero diante do fracasso da estratégia de manter o Estatuto em banho-maria, distante dos olhos da sociedade e da população negra, e de quem agora vê que, com a pressão do Fórum, os deputados terão que dizer, finalmente, se são favoráveis ou contrários à reivindicações históricas da população negra”, afirmou.

Da Redacao