S. Paulo – A ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, realiza nesta terça-feira (07/05), em S. Paulo, mais um Seminário preparatório da III Conferência Nacional de Igualdade Racial, que se realizará entre 05 a 07 de novembro deste ano, em Brasília.

O Seminário, que acontece a partir das 9h, no auditório da Associação dos Advogados de S. Paulo (R. Álvares Penteado, 151 – Centro), terá a presença da secretária da Justiça e Defesa da Cidadania de S. Paulo, Eloisa Arruda, e do Secretário da Igualdade Racial da Prefeitura, o empresário, cantor e vereador licenciado, José de Paula Neto, Netinho, além da chefe da coordenação de Políticas para as Populações Negra e Indígena, professora Elisa Lucas.

Este é o terceiro encontro desse tipo que Bairros realiza nos últimos dois meses. Os dois anteriores foram em Salvador, na Bahia, e em Recife, Pernambuco. Haverá ainda outros dois seminários, um previsto para Belém, e o outro para Porto Alegre.

Estratégia

Oficialmente os seminários fazem parte de discussões com o objetivo de promover a reflexão e o diálogo sobre inclusão racial, conforme destaca a assessoria da ministra. Na prática, porém, Bairros busca se articular com os setores desorganizados do movimento negro, em especial, as Organizações Não-Governamentais de mulheres (sua única base de apoio político) para fortalecer políticamente sua gestão alvo de críticas.

O tema escolhido para o Seminário de S. Paulo “Desenvolvimento e Mulher Negra” e a escolha das expositoras e participantes de mesas, tem fortalecido no movimento negro a percepção de que Bairros busca se fortalecer para ampliar a base de apoio a gestão. As críticas à sua gestão tem partido até de sua base de apoio na Bahia, para quem a gestão da ministra “é excessivamente burocrática, não dialoga com o movimento organizado e se apoia, única e exclusivamente nas ONGs dirigidas por mulheres”.

A principal expositora do Seminário em S. Paulo será a filósofa Sueli Carneio, diretora da Geledés – Instituto da Mulher Negra. Também farão parte da mesa, Guacira César de Oliveira, da ONG CFMEA. A moderação será feita pela ex-ministra Matilde Ribeiro, atual secretária adjunta da SEPIR, paulistana. As deputadas Leci Brandão, do PC do B, e Janeta Pietá, da bancada federal do PT, participarão das mesas como debatedoras.

Bandeira de todos

“A bandeira da luta da mulher negra é uma bandeira de todos os que lutam contra o racismo, o machismo e a homofobia. É uma bandeira de todos os que lutam contra a opressão e a desigualdade que atinge a mulher negra. É, em suma, uma luta de toda a sociedade. Não pode ser tratada como se fosse unicamente das mulheres. Essa gestão tem uma enorme incapacidade de falar com todos. A promoção da igualdade racial não é uma pauta única”, afirma uma liderança negra paulista, sem esconder as críticas à política da atual gestão da SEPPIR, mas que pediu que seu nome fosse mantido em sigilo.

Segundo essa mesma liderança, a gestão de Luiza Bairros se caracteriza por formulações sectárias e não agrega. “ONGs de mulheres negras cumprem um papel importante. Com a ministra passaram a ter a SEPPIR nas mãos. Mobilizar a superestrutura, é diferente de mobilizar na base. A política de promoção da igualdade racial está estagnada”, acrescenta.

Afropress tem tentado ouvir a ministra, porém, sua assessoria não responde aos pedidos de entrevista.

Sem diálogo

Segundo essa mesma liderança, incapaz de dialogar com o movimento negro como um todo, restringindo o diálogo às ONGS e priorizando a questão de gênero, Bairros tem apostado na confrontação com o movimento social, como aconteceu quando pretendeu excluir a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) – articulação política negra ligada ao PT -, da composição do Conselho Nacional da Igualdade Racial (CNPIR). Na ocasião (final do ano passado), a ministra teve de recuar e a CONEN manteve a representação no órgão de assessoria.

Agora, acrescenta a mesma fonte, a disputa está sendo projetada para a Conferência Nacional que acontece em novembro, "quando a ministra pretende tomar para o Estado a pauta da Conferência que é da sociedade civil". “Está muito claro que ela investe em novos atores para essa Conferência, em especial nos setores desorganizados do movimento negro. Não tenho dúvida de que a sociedade civil não vai querer entregar para o Estado essa Conferência. Será uma Conferência acirrada. Vai haver uma confrontação com os setores organizados do movimento negro com quem a ministra optou por não dialogar”, concluiu.

Da Redacao