S. Paulo – A ministra Matilde Ribeiro ainda não sabe se continuará à frente da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) no segundo mandato. “O presidente Lula ainda não me chamou pra conversar. A recomendação é que continuemos trabalhando”, afirmou nesta terça-feira (19/12), durante o encerramento, no Museu Afro-Brasil, do Encontro “Igualdade Racial: Políticas Nacionais e Internacionais”, que reuniu prefeitos de várias cidades do país, e o prefeito e a vice prefeita da Ilha de Gorée, no Senegal, respectivamente Augustin Emmanuel Senghor e Anne Marie Jonga.
As duas autoridades da Ilha – que foi o mais importante entreposto do comércio de homens e mulheres negras escravizados para o Brasil nos séculos XV e XIX – receberam o troféu “Parceiros da Igualdade Racial” das mãos da ministra.
Segundo Matilde, o próprio presidente já anunciou que a escolha do ministério do segundo mandato pode se estender até março do ano que vem por causa da eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado que acontece nesse mês. “Enquanto isso, continuamos trabalhando”, acrescentou.
O Encontro, que teve como objetivo debater as políticas de promoção da igualdade racial nos quatro anos de governo Lula, marcou o lançamento do Programa de Combate ao Racismo institucional no serviço público, pelo próprio ministro da Saúde, José Agenor Álvares, que recebeu o troféu “parceiro da Igualdade Racial”. Cartazes com os dizeres “muitas vezes praticamos o racismo e nem percebemos”, que mostram uma mulher branca com traços nítidos e uma mulher negra, que aparece desfocada na foto para chamar a atenção da invisibilidade, serão distribuídos em todo o país nos postos e nos serviços de saúde.
O prefeito de S. Paulo, Gilberto Kassab, compareceu no final da tarde e fez uma saudação a ministra e aos presentes, lembrando que S. Paulo já tem o Selo Diversidade, que trata do enfrentamento da discriminação racial e de gênero, objeto de decreto assinado por ele, no dia 24 de novembro passado.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, cuja presença estava confirmada, não pôde comparecer por motivo de doença e foi representado pelo embaixador Jadiel Ferreira de Oliveira.
O evento também marcou a assinatura de convênio entre a Seppir, Ministério da Educação, Eletronorte e a Petrobrás para alfabetização de 13 mil moradores de comunidades quilombolas em quatro Estados.
Na parte da manhã e no período da tarde ocorreram debates sobre “Construção da agenda estratégica entre governo federal e poderes locis”, “A Seppir e o processo de construção de um sistema de políticas para promoção da igualdade racial no Brasil”; “A educação em foco” e “Brasil e África: relações entre cidades”.
Esta última teve a presença, além do prefeito da Ilha de Goreé, dos prefeitos de Diadema, José de Fellippi e de Várzea Paulista, Eduardo Tadeu Pereira. Ambos relataram experiências de cooperação internacional, no primeiro caso com província do Mali, na África, e, no caso de Várzea Paulista com uma organização não governamental da África do Sul.
A cantora Leci Brandão, do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, animou uma das meses e levantou a platéia que lotava o auditório do Museu, ao falar do resgate da identidade negra e das religiões de matriz africana.
O professor Kabengele Munanga, do Departamento de Antropologia da USP, defendeu a a cooperação entre o Brasil e os países africanos que, segundo ele, se dá de forma diferente, sem a prepotência, a arrogância e até o racismo que acontece na relação entre a África e os países colonizadores.

Da Redacao