S. Paulo – A ministra chefe da SEPPIR, socióloga Luiza Bairros, participa neste sábado (09/04), em S. Paulo, de encontro com ativistas do Movimento Negro paulista, à convite da Coordenadoria dos Assuntos da População Negra (CONE), da Prefeitura, dirigida por Maria Aparecida de Laia, do Tucanafro – a corrente de negros do PSDB.
Segundo o convite distribuído no final da tarde desta sexta-feira pelas redes sociais o objetivo da reunião “é estreitar as relações das políticas públicas desenvolvidas no país e na capital paulista”.
O encontro da ministra da SEPPIR, que é filiada ao PT, convocado por lideranças tucanas, acontece uma semana depois que o Secretário de Combate ao Racismo do PT paulista e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), Cláudio Silva, o Claudinho, em entrevista à Afropress disse que a nova ministra “embora tenha acertos do ponto de vista técnico, do ponto de vista político tem muitos erros e erros gravíssimos”.
As críticas do dirigente do PT não foram respondidas por Luiza, que pertence ao grupo do deputado federal Luiz Alberto, da Bahia, o parlamentar mais identificado com o Movimento Negro Unificado (MNU), organização que teve a própria Luíza como dirigente até 1.984.
Diálogo
O lema do convite distribuído na véspera pelas redes sociais é “todo início de governo demanda muito diálogo”. A reunião acontece, a partir das 10h, no auditório da Secretaria de Participação e Parceria da Prefeitura de S. Paulo, à Rua Líbero Badaró, 119 – próximo ao Metrô Anhangabaú, centro.
Luiza chegou a S. Paulo, nesta sexta-feira (08/04), e sua agenda previa participação em reunião, às 18h30, de um autodenominado Coletivo Nacional de Combate ao Racismo, cuja pauta era desconhecida.
Desde o dia 07 de fevereiro Afropress tenta contato com a ministra e os e-mails enviados com pedidos de entrevista e posicionamento a respeito de questões de interesse público, como, por exemplo sua ausência na agenda da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, não são respondidos por sua assessoria.
No dia 04 de abril a Assessoria de Imprensa prometeu que passaria a informar a agenda no final do dia, conforme solicitação feita por Afropresso que não aconteceu.
CONE
Além de convocado por Laia, a liderança negra mais identificada com o PSDB, a CONE é um órgão da Secretaria de Participação e Parceria da Prefeitura de S. Paulo, cujo prefeito Gilberto Kassab, do DEM, foi o principal aliado do ex-governador José Serra, candidato derrotado à Presidência da República, a quem sucedeu na Prefeitura até lançar no início deste mês um novo Partido – o PSD.
A Coordenação foi criada na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, então no PT, e atualmente deputada federal do PSB, com a finalidade de formular, coordenar e acompanhar políticas de ação governamental junto à população negra, visando o combate visando o combate à discriminação racial e a defesa dos direitos, bem como a promoção e o apoio à integração cultural, econômica e política desta população.
S. Paulo tem a maior população negra do Brasil, com cerca de 13,6 milhões de afro-brasileiros (cerca de 31% da população) e a capital paulista é a maior cidade negra fora da África, com cerca de 4 milhões de afrodescendentes. Apenas Lagos, na Nigéria, e Cairo, no Egito, tem população negra superior a S. Paulo.
Símbolos vazios
Lideranças negras de perfil independente e não atrelado aos Partidos, consideram organismos como a CONE, Conselho da Comunidade Negra do Estado e Coordenação de Políticas da População Negra, que funciona junto à Secretaria da Justiça e passou a ser chefiada pelo advogado Antonio Carlos Arruda – o outro líder negro que junto com Laia é o mais identificado com os tucanos – espaços simbólicos utilizados pelo Estado para “simular uma inclusão fictícia. “Se, se em algum momento no passado, esses espaços foram importantes, hoje, são apenas uma símbolo de uma inclusão que não há”.
Essas lideranças, inclusive algumas próximas ao PSDB, e que preferem falar sob o compromisso de não terem seus nomes divulgados, cobram do governo do Estado a criação de uma Secretaria que dê conta de definir e implementar políticas para atender as demandas da população negra de S. Paulo.

Da Redacao