Brasília – A ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), não se manifestará sobre as denúncias veiculadas pela Imprensa de que é recordista de gastos em cartões corporativos do Governo federal. Quando o fizer, o fará por escrito, por evitar distorção em suas declarações ou privilegiar veículos, mesmo os da mídia negra.
A orientação foi passada nesta quinta-feira (24/01) pelo Secretário Adjunto da Seppir, Martvs Chagas – que coordena o setor de Comunicação da Secretaria -, ao comentar informalmente as matérias recentes da grande mídia que têm a ministra como alvo, e o anúncio de que parlamentares do DEM e do PSDB, como o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) e Álvaro Dias (PSDB/PR), pretendem convocar Matilde para explicar as despesas do ano passado.
A Seppir cobriu despesas com o cartão no valor de R$ 182,12 mil, dos quais 171,5 mil, gastos apenas pela ministra – o equivalente a R$ 14,3 mil mensais em média. As despesas incluíram gastos com hotéis, restaurantes e aluguéis de carros. O total corresponde a quase sete vezes mais o segundo colocado. Os cartões servem para cobrir despesas emergenciais.
Viagens
Matilde disse na semana passada que os gastos se justificam por conta de viagens para tratar da articulação do Plano de Promoção da Igualdade Racial com os novos governos estaduais. Também acrescentou que, do total dos gastos, pouco mais de R$ 4 mil foi para alimentação. O restante foi para cobrir despesas com deslocamentos e hotéis, em virtude da falta de estrutura da Seppir nos Estados.
No único gasto feito numa free shop, revelado pelo Portal da Transparência, site do próprio Governo – uma despesa de R$ 461,16, em outubro do ano passado – o dinheiro foi devolvido, porque ela, alertada, reconheceu o engano e ressarciu a União. A devolução do dinheiro entretanto, demorou três meses, o que a fez retornar às manchetes.
A ministra explicou que só o fez nesse tempo porque estava de férias e assim que retornou providenciou o depósito.
Embora afirmando que os esclarecimentos serão feitos por escrito, dirigentes da Seppir comentam, em privado, que a ministra virou alvo da grande mídia por conta do racismo institucional padrão que é praticado, via de regra, pelos meios de comunicação. “Eles não podem ver um negro em posição de destaque. Estamos tranqüilos e ainda mais porque saiu na Veja. Se saiu na Veja, isso é um termômetro para o Presidente Lula de que a matéria não vale a pena ser levada a sério”, afirmam, em declarações em off.

Da Redacao