S. Paulo – O ministro chefe da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo (foto), não responde há um mês um pedido de entrevista feito por Afropress. Segundo fontes da própria SEPPIR, Elói estaria contrariado com noticiário dos bastidores do acordo que fez com o DEM para aprovar o Estatuto da Igualdade Racial, contestado por setores expressivos do Movimento Negro.
Desde que tomou posse, ele não concede entrevistas a Afropress, contrariando a prática do seu antecessor, deputado Edson Santos (PT-RJ), que não apenas retornava às ligações com pedidos de entrevista, como, muitas vezes, ligava diretamente para falar sobre temas em debate.
No dia da posse (1º de abril), Afropress fez a primeira solicitação de entrevista a Elói. Não teve resposta.
Posteriormente, já com Sandra Almada, a coordenadora de Comunicação escolhida pelo novo ministro, a solicitação voltou a ser feita, no dia 25 de maio, e reiterada nos dias 14 e 16 de junho.
A Afropress também tentou fazer contato com o ministro pelo seu celular, porém, ele não respondeu a recados deixados na sua secretária eletrônica.
Nos dois mais recentes contatos telefônicos feitos, a Coordenadora de Comunicação respondeu, quase sempre, de mau humor e com monossílabos. No primeiro, queixou-se pelo fato de ter sido citada numa matéria como responsável pela Comunicação da SEPPIR.
Na segunda vez, na semana passada disse que as perguntas da entrevista encaminhadas seriam respondidas, “provavelmente, até o dia 1º de julho, porque o ministro estava viajando”. A Assessora não respondeu a pergunta se a viagem era privada ou fazia parte da agenda pública do ministro.
Na verdade, na quinta-feira (25/06), Elói estava no Rio de Janeiro, para cumprir agenda, inclusive para o encontro com Abdias do Nascimento para levar a sua versão sobre o acordo com o DEM que tornou possível a aprovação do Estatuto.
As perguntas
Fiel ao compromisso de fazer Jornalismo, a Afropress torna públicas as perguntas encaminhadas a Assessoria do ministro, até o momento sem respostas.
Afropress – Ministro, há uma grande reação de setores de base do Movimento Negro, e até de organizações muito próximas ou ligadas ao PT, contra a aprovação do parecer do senador Demóstenes no projeto do Estatuto. Como o senhor vê essa reação e porque o senhor defende o acordo?
Afropress – Quais os pontos favoráveis que o senhor destaca no parecer Demóstenes?
Afropress – A supressão de pontos considerados fundamentais pelo Movimento Negro, inclusive CONEN e UNEGRO não ferem de morte o projeto?
Afropress – O senador, que foi o pivô de um movimento de indignação na Audiência Pública do STF em março, por tentar revisar a história do Brasil, afirmando que os estupros de mulheres negras sob o escravismo teriam se dado com consentimento delas, nega os efeitos da escravidão e recusa-se a reconhecer uma identidade negra no país. Isso não diz tudo a respeito das propostas que faz no parecer?
Afropress – O senador Paim esteve presente nas reuniões. Qual foi a posição adotada por ele?
Afropress – Como o senhor vê o movimento para retirada de pauta do projeto?
Afropress – Há setores do Movimento Negro que dizem que o açodamento na votação atende a interesses eleitorais. Como o senhor responde a isso?
Afropress – Como avaliou a participação brasileira na Conferência de Atlanta dentro do Plano de Ação Brasil/EUA?
Afropress – Quais os próximos passos que serão dados no contexto do acordo?
Afropress – Faça as considerações que julgar pertinentes.

Da Redacao