Manhattan, Nova York – O legado do pastor e ativista pelo Direitos Civis, Prêmio Nobel da Paz em 1968, Martin Luther King Jr. (1929-1968), parece estar em todos os lugares nestes dias graças, em parte, ao extraordinário filme Selma que entrou em cartaz nos cinemas no final do ano passado.

O filme trouxe à tona um caloroso debate entre os defensores do legado de MLK e os historiadores para saber se retrata adequadamente a difícil negociação entre o então presidente Lyndon B. Johnson e Martin Luther King pelo direito ao voto até então restrito para a maioria dos afroamericanos.

O atual governador da Geórgia (sul), Nathan Deal, em seu discurso de posse afirmou que uma estátua de MLK sera erguida no Capitólio do Estado, o que, certamente enaltecerá ainda mais a imagem do grande ícone. Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, uma acirrada disputa ocorre envolvendo os 3 filhos de MLK par aver quem herda a propriedade intelectual, sua Bíblia pessoal e a medalha do Prêmio Nobel.

A disputa parece ser o ultimo round de uma triste batalha judicial envolvendo irmãos que lutam ferozmente para manter os direitos autorais de todos os materiais relacionados a memória de King.

Nestas disputas judiciais, duas importantes pessoas ligadas diretamente a MLK foram afetadas. A primeira, o ex-embaixador da ONU e também ex-prefeito de Atlanta, Andrew Young, e, mais recentemente, o cantor Harry Belafon

Por tudo de bom que o sobrenome King representa, estas disputas judiciais certamente tem uma ressonância triste entre seus milhares de admiradores ao redor do mundo. "É difícil compreender como aquelas partes interessadas e que se dizem preocupadas em resguardar o importante legado de MLK serão servidas por mais lutas e uma disputa litigiosa que, tristemente, tem dividido a família nos anos recentes", escreveu o juiz Robert McBurney da Corte Suprema do Condado de Fulton, num dos vários processos envolvendo os familiares. Partidários da família notaram que o doutor King licenciou seus papéis e escritos para prover o futuro.

Os herdeiros frequentemente buscam compensações financeiras contra a Rede de Televisão a cabo CNN pelo direito de colocar no ar o famoso discurso “I have a dream” (Eu Tenho Um Sonho). Em 2006 a família vendeu parte de um cachê de documentos por US$ 32 milhões para um grupo de líderes cívicos e homens de negócios liderados pela então prefeita de Altanta, Shirley Franklyn. Os documentos estão arquivados na Faculdade Morehouse de Atlanta, onde MLK estudou.

Em 1986, a então viúva, Coretta Scott King, tentou, sem sucesso, processar a prestigiosa Faculdade de Boston num esforco para recuperar  centenas de documentos deixados por MLK. Em 2011, a famlia tentou novamente impedir que a ex-secretária, Maude Ballou, vendesse documentos sob sua posse.

Em 2013, Harry Belafonte, amigo pessoal de MLK, processou os 3 herdeiros da família em Corte federal depois que tentou vender documentos que a família alega terem sido retirados do espólio sem permissão.

Num discurso em Memphis, em 1968, pouco antes de ser assassinado, MLK invocou o Velho Testamento e a tática dos Faraós de dividir e conquistar seus súditos. “Agora vamos nos manter unidos”, ele disse.

No caso de seus filhos, eles, parece já há algum tempo terem esquecido o pedido.

Edson Cadette