Campinas/SP – O Movimento Negro Unificado (MNU), por meio da Fração MNU de Lutas, liderada pelo Coordenador Nacional de Organização Reginaldo Bispo, e mais entidades do Movimento Negro de S. Paulo decidiram realizar manifestação pública para exigir a exoneração do comandante da 2ª Companhia da PM do Batalhão de Campinas, Capitão Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci, que assinou a Ordem de Serviço orientando revista a transeuntes e veículos em atitude suspeita no Bairro Taquaral, “especialmente em indivíduos de cor parda e negra com idade aparentemente de 18 a 25 anos”.

A decisão foi tomada na noite de sexta-feira (25/01) numa reunião no Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, que contou com a presença de cerca de 41 ativistas integrantes de várias entidades. Neste sábado, o presidente do Conselho Estadual da Comunidade Negra do Estado – órgão vinculado ao Estado -, advogado Marco Antonio Zito Alvarenga disse que a orientação da PM paulista viola a Constituição Federal.

“Criamos um fórum permanente que ainda não tem um nome e foi criada uma coordenação que dividirá em comissões executivas”, afirmou o coordenador do MNU de Organização do MNU, Reginaldo Bispo.

Outra decisão tomada durante o encontro foi responsabilizar o governador Geraldo Alckmin e o comando da corporação. Nesta quinta-feira (31/01) haverá nova reunião para definir a data da manifestação e a divulgação de uma Nota Pública.

União contra o racismo e a violência policial

O Fórum criado, segundo Bispo, estará aberto a todos os setores do Movimento Negro, do Movimento popular e da sociedade civil, independente de partidos. “Todos os que queiram se juntar na luta contra o racismo, a violência policial e o genocídio são bem-vindos. Vamos questionar posições que insistem em pedir explicações aos nossos detratores, principalmente se essas posições prejudicam o desenvolvimento e crescimento da luta”, acrescenta o dirigente do MNU, numa referência indireta a iniciativa do diretor executivo da Educafro, Frei David Raimundo dos Santos que, na semana passada, se reuniu com o secretário adjunto da Segurança Pública para pedir informações sobre dados estatísticos da PM (ver matéria em Afropress).

Os ativistas reunidos em Campinas também decidiram preparr manifestações de coletivos e blocos que sairão às ruas no carnaval abordando a Ordem racista da PM de Campinas. 

Da Redacao