S. Paulo – Lideranças do Movimento Brasil Afirmativo, Rede Educafro, Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP e Instituto do Negro Padre Batista, que dirigem o Fórum SP da Igualdade Racial (foto), decidiram intensificar a coleta de assinaturas e organizar a rede de mobilizadores na sociedade em defesa da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do PL 73/99, que cria cotas no acesso às Universidades.
O Fórum, lançado no final do mês passado, tem como mobilizar a sociedade e coletar inicialmente 100 mil assinaturas a serem entregues aos presidentes da Câmara e do Senado, como forma de pressão para votação dessas matérias. O Estatuto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), foi apresentado inicialmente e, depois de sofrer vários substitutivos, foi aprovado pelo Senado e está parado na Câmara. O PL 73/99, se encontra na mesma situação. “A consolidação do Fórum tem tudo a crescere à medida que for ganhando os espaços da sociedade e dos segmentos sociais”, afirmou Frei Antonio Leandro da Silva.
Por decisão das lideranças presentes ficou definido que uma Comissão coordenada por Frei Leandro e integrada por Douglas Belchior, representando a Rede Educafro, Dojival Vieira, o Movimento Brasil Afirmativo, e o advogado Sinvaldo Firmo, do Instituto do Negro Padre Batista, que terão a incumbência de organizar a coleta, mapear os responsáveis no Estado e no Brasil, fazer contatos com a Imprensa e articular a ida à Brasília. O presidente da CONAD, Marco Antonio Zito Alvarenga, ficou encarregado de entrar em contato com os 70 deputados federais de S. Paulo, de todos os partidos, a quem os membros do Fórum pretendem pedir apoio a aprovação do Estatuto e do PL 73/99.
O primeiro a ser procurado deverá ser o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Também a deputada Janete Pietá, secretária executiva da Frente da Igualdade Racial e coordenadora do Núcleo de Parlamentares Negros do PT (NUPAN), será contatada. Pietá esteve presente no lançamento do Fórum e se propôs a apoiar o movimento. Entretanto, as lideranças do Fórum frisam que todos os parlamentares federais serão procurados, independente de partidos, tendo em vista o caráter amplo e supratidário do movimento.
Movimento cresce
A coleta de assinaturas, por outro lado, ganhou capilaridade e já se estende por várias cidades de S. Paulo e do Brasil, graças a presença de ativistas da Rede Educafro, e de militantes de várias entidades e organizações que decidiram aderir ao movimento.
O maior exemplo disso, foi a presença na reunião desta segunda-feira (16/07), da professora Regina Célia, de Londrina, no Paraná. Ela esteve presente ao lançamento do Fórum, levou o abaixo-assinado e começou a organizar o movimento de coleta, inclusive com divulgação na mídia, na sua cidade. “As pessoas estão muito entusiasmadas, porque é um coisa muito concreta a fazer”, afirmou.
Para o dia 06 de agosto, às 19h, na sede da OAB/SP haverá reunião para contabilizar os números finais de assinaturas, conferir listas e discutir detalhes da viagem à Brasília, que deverá ocorrer no final do mês de agosto e não mais na primeira quinzena. As lideranças do Fórum avaliam se fundamental elaborar um calendário de coletas, inclusive nas ruas, nos pontos de maior movimento e aproveitar o retorno das aulas no início do mês de agosto, para coletar o maior número possível de assinaturas.
Também o Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, está passando o Abaixo-Assinado na sua base, o mesmo ocorrendo com entidades no Rio, como o Espaço Lélia Gonzalez, em Pernambuco, com o Fórum de Mulheres Negras, e na Bahia.
Depois da ida à Brasília e da primeira fase da pressão sob o Congresso, o Fórum poderá continuar coletando assinaturas, na perspectiva de atingir um milhão até 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.
Na reunião estiveram presentes também representantes das entidades Fala Preta – Organização de Mulheres Negras, Fala Negão, Negro Sim e Coletivo Milton Santos, de Suzano.

Da Redacao