Conhecido em todo o país, como uma das mais respeitadas lideranças negras, Hélio Santos é conhecido pela paixão com que entra e sai dos debates. Ao elogiar as medidas adotadas pelo governador tucano José Serra, que criou Grupo de Trabalho para estudar a inserção de negros no mercado de trabalho, inclusive, prevendo critério de desempate nas licitações para empresas que tiverem 20% de negros nos seus quadros, Santos, disse que essa é uma reivindicação antiga “do setor moderno do Movimento Negro brasileiro”.
Não demorou e a polêmica se instalou com dezenas de cartas, telefonemas e e-mails, sobre a quem se referia ao usar a expressão. Hélio Santos não recusou a polêmica e foi além. Veja, na íntegra, a entrevista Ping-Pong.
Afropress – Afinal, professor Hélio, quem é o setor moderno do movimento negro?
Hélio Santos – É aquele que não partidarizou o Movimento Negro. É o que consegue elogiar e criticar, independente de partidos. Como o setor moderno não é tão grande, os avanços são ainda poucos, tímidos.
Afropress – E quem não é o setor moderno?
Hélio – É aquele que ideologizou, que partidariza a questão racial. Aquele que está preocupado apenas com os brancos que ocupam transitoriamente o poder. Aquele que está preocupado com Serra e com Lula.
Afropress – Dê um exemplo.
Hélio – Quando Lula criou a Seppir eu elogiei. Quando Paulo Renato (ministro da Educação nos dois Governos FHC) não criou as cotas, eu critiquei. Então o setor moderno é aquele que critica e elogia independente de partidos. Que tem como referência a questão racial e não o partido e nunca tergiversou. Abdias (Nascimento, militante histórico do Movimento Negro) militou em partido e nunca partidarizou a questão racial.
Afropress – Houve quem achasse que o senhor estava se referindo à geração do final dos anos 70..
Hélio – Nada a ver. Conheço jovens negros da geração dos anos 80, que desdenham profundamente dos partidos políticos, porque conseguem tratar da questão independente de quem está no Governo. Então não se trata de um problema geracional. São modernos todos os que conseguem interpretar corretamente a questão racial, sem ideologizá-la, e sabem, refletem que nenhum partido no Brasil colocou a questão racial como centro.

Hélio Santos