Washington – Irene Morgan, primeira mulher negra a dizer não as leis de segregação norte-americanas, morreu na última sexta-feira, aos 90 anos, segundo anúncio feito nesta segunda-feira, em Washington. Em 1.944, Morgan se negou a ceder seu assento a brancos em um ônibus, em Baltimore, e com o gesto mudou a história dos negros norte-americanos e do próprio país. O gesto foi seguido depois por Rosa Parks, em 1.955.
Detida e condenada a uma multa de 100 dólares, o caso de Irene Morgan chegou à Suprema Corte americana que, em 1946, deu razão a ela. A decisão, entretanto foi ignorada pelos Estados sulistas.
Morgan tinha 27 anos quando disse o seu “Não”, em julho de 1.944. Ela voltava para casa em Baltimore (Maryland), após visitar sua mãe na Virgínia, onde vigoravam as severas leis de segração. Estava sentada no local reservado aos negros quando um casal de brancos subiu no ônibus. O motorista, como de praxe, pediu para que cedesse o lugar. “Não”, disse Morgan, firmemente. O motorista, então se dirigiu à Delegacia mais próxima, e a entregou ao xerife local responsável pela sua prisão.
Em 2001, o presidente Bill Clinton concedeu a Morgan a “Presidential Citizen Medal”, uma das maiores condecorações civis dos Estados Unidos.
A deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP), coordenadora do Núcleo de Parlamentares Negros do PT, fez um pronunciamento nesta terça-feira, lamentando a morte da ativista. “Quero registrar, no dia de hoje, o falecimento da ativista negra norte-americana, Irene Morgan, aos 90 anos, que em 1944, se negou a ceder o assento num ônibus a um branco, em Baltimore. Tal como Rosa Parks, ela faz parte da geração de mulheres negras que com seus gestos marcaram a história dos EUA, a luta pelos direitos civis e direitos humanos. ”

Da Redacao