Manhattan, Nova York – Morreu na última quinta-feira (08/01) em Newark , Nova Jersey, aos 79 anos Amiri Baraka. Poeta, dramaturgo e ativista, Baraka representou, no auge de sua carreira nos anos 60 e 70, a angústia e frustração dos negros norte-americanos, que viviam ilhados nas grandes cidades dos EUA.

Com uma visão extremamente política, ele foi uma uma grande força artistica naquilo que é chamado, aqui nos EUA, de Movimento da Arte Negra. Para muita gente não passava de um agitador, que se aproveitava das frustrações de milhões de afro-americanos e do clima volátil, notadamente na cidade de Newark. Para outros, era um representante legítimo de todos os que se encontravam segregados nos guetos urbanos.

Para o aclamado crítico cultural, Stanley Crouch, Amiri Baraka “regurgitava desde os anos 60, o mesmo lixo literário, ou seja, uma mistura incoerente de racismo, anti-semitismo, nacionalismo negro e ataques tirados de revistas em quadrinhos e personagens de filmes de horror; imagens que ele ele vinha usando há décadas”. Já para o autor  e crítico literário, Arnold Rampersad, Amiri Baraka fazia parte do panteão de autores afro-americanos como o poeta Langston Hughes, os escritores James Baldwin, Richard Wrihgt e a escritora Zora Neale Hurston.

Depois das tumultuadas décadas de 60 e 70, Amiri Baraka refugiou-se nas universidades, lecionando na Columbia, em Nova York, e Yale, em Nova Jersey. Na época renunciou às suas visões radicais, principalmente, ao anti-semitismo. Em suas próprias palavras tornou-se um “marxista-lenista-maoista”.

Sua nova maneira de pensar apareceu num ensaio literário na revista Village Voice. Amiri Baraka voltou a chamar a atenção do público quando escreveu um poema após os ataques que destruíram as Torres Gêmeas, em Nova York, declarando que Israel já sabia do ataque e por isso os judeus não foram trabalhar no 11 de setembro. Por essa posição foi criticado, à época, até mesmo pelo governador de Nova Jersey, James E. McGreevey, que pediu para ele deixasse o posto de poeta laureado no Estado, algo que Baraka recusou-se a fazer.

Apesar de mais de cinquenta anos de acusações e das polêmicas em que se envolveu, Amiri Baraka se descrevia como um “otimista de um tipo especial”. “Eu diria que sou um revolucionário otimista”, disse numa entrevista ao periódico Newsday, em 1990. “Acredito que os mocinhos irão vencer”, concluía na mesma entrevista.

Baraka não viveu para ver a vitória dos “mocinhos”.

 

Da Redacao