S. Paulo – O ativista negro Osvaldo Cândido, Candinho, um dos últimos remanescentes da Frente Negra Brasileira, faleceu nesta quinta-feira (18/08), aos 85 anos. Velado no Cemitério de Vila Nova Cachoeirinha, onde foi enterrado, “seo” Candinho, como era chamado por militantes e amigos mais próximos, deixou viúva, filha e dois filhos.
Além de ser um dos poucos líderes ainda vivos da Frente Negra Brasileira, criada nos anos 30, Candinho presidiu o Movimento Negro do PDT, próximo ao ex-governador Leonel Brizola, fundador e maior líder do Partido, também já falecido.
Candinho também fez parte das comissões de recepção ao Bispo Desmond Tutu e a Nelson Mandela, quando o líder sul-africano esteve no Brasil.
Ele conhecia como poucos os meandros da política, mundo pelo qual transitou desde os anos 30. Morou por 17 anos no Palácio dos Campos Eliseos, residência oficial dos governadores paulistas nos anos 40, 50 e 60.
Um dos seus lemas era “o negro está acima dos partidos”. Segundo o advogado Celso Fontana, membro do SOS Racismo da Assembléia Legislativa de São Paulo, e autor do livro “Os Negros na Assembléia dos Brancos”, dedicado a Candinho, o ativista, mesmo frágil, já com idade avançada, nunca desistiu dos seus ideais.
“Participamos com o “seo” Candinho da Marcha Zumbi, à Brasilia, em 1995, e de eventos em Campinas, Itapevi, Suzano e nos CEUS de Sao Paulo, quando costumava, cerimoniosamente, entoar o Hino da Frente Negra. Vamos sentir sua falta, com muitas saudades. Agora Candinho integra o Mundo dos Ancestrais”, afirmou.

Da Redacao