Salvador – Mãe Hilda Jitolu – a iolorixá Hilda dos Santos, 86 anos – (foto) a líder espiritural do grupo Ilê Ayê, faleceu neste sábado, às 10h30. Ela estava internada desde o início deste mês, no Hospital Unimed, em Lauro de Freitas.
Segundo Antônio Carlos dos Santos, mais conhecido como Vovô do Ilê, presidente da entidade e filho biológico de Mãe Hilda, ela estava com problemas cardíacos e contraiu uma pneumonia.
O enterro de mãe Hilda está marcado para este domingo,(20/09), no Cemitério Jardim da Saudade, em horário ainda não definido. Mãe Hilda comandava o terreiro Ilê Axé Jitolu, na Rua do Curuzu, na Liberdade, onde morava desde 1.938.
Foi no terreiro que aconteceram as primeiras. O bloco desfilou pela primeira vez em 1975 e tornou-se uma das mais fortes referências na luta de combate ao racismo. O Movimento Negro Unificado (MNU) só surgiria três anos depois.
Com o lema “negro é lindo” o Ilê iniciou um processo de estímulo ao resgate da autoestima da população negra privilegiando a música, as roupas coloridas, dentre outros signos estéticos de origem afro-brasileira.
Era mãe Hilda quem comandava a cerimônia religiosa que antecede o desfile do Ilê Aiyê no sábado de Carnaval. Da sacada de sua casa, ela presidia um rito que pedia licença, principalmente, a Obaluaê, divindade que governa a saúde e à qual era consagrada, além de Oxalá, que é o protetor do seu filho Vovô. A cerimônia terminava com a soltura de pombos brancos por todos os diretores do Ilê Aiyê e pela rainha da beleza do ano, a Deusa de Ébano.
Escola Mãe Hilda
além do Carnaval, sempre sob a inspiração de mãe Hilda, como faz questão de frisar Vovô, o Ilê passou a realizar diversos projetos sociais. Dentre eles se destaca a Escola Mãe Hilda, que oferece não só educação formal, mas também oficinas artísticas e formação em cidadania.
Está marcada para amanhã, o início da Semana da Mãe Preta, uma série de atividades educativas e culturais que o Ilê Aiyê realiza em homenagem a mãe Hilda todos os anos.

Da Redacao