S. Paulo – O deputado José de Souza Cândido, 70 anos, do Partido dos Trabalhadores (PT) – o único parlamentar negro eleito para a Assembléia Legislativa do Estado -, morreu na manhã deste domingo (12/02), no Hospital Sírio-Libanês, em conseqüência de complicações de uma cirurgia para retirada da vesícula feita no início de janeiro.

Seu corpo será velado no Complexo Poliesportivo Paulo Portela – o Portelão – em Suzano, onde tinha a sua principal básica política, e enterrado nesta segunda, às 16h, no Cemitério Memorial Alto Tietê, também em Suzano, cidade da qual o seu filho, Marcelo Cândido, também do PT, é prefeito.

Cirurgia

Cândido estava no Sírio desde o dia 12 de janeiro, quando chegou transferido da Santa Casa de Suzano, onde fora inicialmente hospitalizado para a cirurgia de retirada da vesícula biliar por videolaparoscopia. Três horas depois da operação, quando já se encontrava na reabilitação pós-anestésica sofreu uma parada cardíaca.

Reanimado foi encaminhado a Unidade de Terapia Intensiva do Hospital, permanecendo em coma induzido até ser transferido para S. Paulo. No sábado, o deputado, que já respirava sem aparelhos, apresentou complicações no seu quadro clínico e voltou a Unidade de Terapia Intensiva do Sírio. Cândido deixa a esposa Laura Cândido, seis filhos e cinco netos.

Pesar

A morte de Cândido está sendo lamentada por lideranças e ativistas do Movimento Negro de S. Paulo, que o tinham como uma liderança capaz de diálogo com os setores mais diversos, pelo perfil conciliador. O presidente do Conselho Estadual da Comunidade Negra, advogado Marco Antonio Zito Araújo, disse que o povo paulista, em especial, a população negra, “perde antes de mais nada um grande homem”.

“Um grande legislador em favor da igualdade racial e de oportunidades. Na sua vida política deixa um legado positivo em defesa da cidadania. E mais uma vez a nossa luta continua em em memória deste grande comandante”, afirmou. Por sua vez, Douglas Belchior, membro do Conselho Geral, da Uneafro, entidade surgida de uma dissidência da Educafro, de Frei David Raimundo dos Santos, afirmou que o parlamentar foi um exemplo de militante antirracista. “Tive o prazer de ter sido seu colega quando fui seu secretário de juventude do PT na macro-região de Guarulhos e ele a presidia.

Como Deputado foi parceiro de primeira hora da Uneafro. Testemunhou e apoiou nosso nascimento. Fazia a diferença em uma Assembléia Legislativa repleta de mesmice e de hiporcrisia partidária. Vai fazer muita falta”, declarou.

Trajetória de luta

Já o coordenador de Políticas para a População Negra e Indígena, da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, Antonio Carlos Arruda, manifestou pesar pela morte e lembrou a militância de ambos no Movimento Negro. “José Cândido começou a sua atividade política ao meu lado no início da década de 80 quando integrou conosco a FRENAPO – Frente Negra para Ação Política de Oposição e salvo engano disputou a sua primeira eleição como candidato a vereador em 1982.

Estávamos lado a lado no enfrentamento da ditadura militar mas tinhamos que nos posicionar também frente a todos os que entendiam que a questão do negro estaria resolvida com a volta da democracia o que já sabiamos não era verdade. Integrávamos uma frente com Benedito Cintra, Oscarlino Marçal, Esmeraldo Tarquínio, Helio Santos, Maria Cristina entre outros. José Cândido com a sua simplicidade e largo sorriso sempre foi firme na defesa dos excluídos e de maneira digna bem representou os negros paulistas na sua atuação parlamentar. Uma perda irreparável”, assinalou.

Homenagens

O corpo do deputado chegou às 15h30 ao ao Portelão (Rua Barão de Jaceguai, 375 – Centro – Suzano). Às 18h30 haverá celebração de missa de corpo presente. Nesta segunda, 13/02, às 12h será celebrada missa ecumênica e, às 15h, a saída do cortejo em direção ao Memorial do Alto Tietê, onde, às 16h, haverá o enterro.

Da Redacao