Roma – Conhecida em todo o mundo como Mama África, Miriam Makeba, 76 anos, morreu nesta segunda-feira (10/11), de madrugada, vítima de uma parada cardíaca, após ter participado de um show a favor do escritor Roberto Saviano, ameaçado de morte pela máfia napolitana.
Makeba foi uma voz atuante na luta contra o regime do apartheid na África do Sul. No Brasil ficou conhecida pela música “Pata a Pata”.
Show contra a máfia
Miriam Makeba passou mal depois de ter cantado por 30 minutos no show em solidariedade ao escritor italiano, realizado em um reduto da Camorra, a máfia napolitana. Seis imigrantes africanos e um italiano foram assassinados em setembro passado, em circunstâncias não esclarecidas. “Foi a última a sair do palco, depois de outros cantores. Houve um bis e neste momento alguém perguntou se havia algum médico entre o público. Miriam Makeba havia desmaiado e estava no chão”, afirma um fotógrafo da agência France Presse presente ao evento.
Levada rapidamente para uma clínica de Castel Volturno, ela morreu em conseqüência de uma parada cardíaca.
Vida de luta
Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932 em Johannesburgo. Ela começou a cantar nos anos 1950 com o grupo Manhattan Brothers e, em 1956, compôs “Pata, Pata”, canção que seria seu maior sucesso.
A cantora viu seu país mudar com a chegada ao poder, em 1947, dos nacionalistas africaners. Aos 27 anos deixou a África do Sul pela carreira e teve a entrada proibida no país pelo compromisso com a luta antiapartheid, incluindo a participação no filme “Come Back, Africa”.
O exílio durou 31 anos, em diversos países. A cantora fazia muito sucesso, mas seu casamento em 1969 com o líder dos Panteras Negras Stokely Carmichael, do qual se separou em 1973, não agradou as autoridades americanas, que a forçaram a emigrar para Guiné.
Depois da morte da filha única em 1985, voltou a viver na Europa, mas em 1990 Nelson Mandela a convenceu a retornar para a África do Sul.

Da Redacao