S. Paulo – Morreu na tarde desta quinta-feira (12/07), no Hospital do Servidor Público de S. Paulo, o professor, ex-vereador paulistano e poeta, Eduardo de Oliveira, presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) e uma das mais importantes lideranças vivas do Movimento Negro Brasileiro. Ele sofria de problemas cardíacos e teve uma insuficiência renal causada por arritmia cardíaca, que provocou sua morte.

O velório acontecerá a partir das 11h desta sexta-feira (13/07), na Câmara Municipal de S. Paulo, no Viaduto Jacareí, 100, centro de S. Paulo. O sepultamento acontecerá às 15h desta sexta-feira (13/07), no Cemitério da Lapa, o Cemitério da Goiabeira – Rua Bérgson, 347. A morte do professor Eduardo, que era autor do “Hino da Negritude”, provocou tristeza e consternação na maioria das lideranças do Movimento Negro.

“O Movimento Negro brasileiro está enlutado, entristecido com o passamento do professor Eduardo de Oliveira. Sua história de lutas para um Brasil progressista e independente, com um povo nutrido e feliz, se soma a toda uma trajetória de vida contra o racismo e os preconceitos. O Hino da Negritude de sua autoria é um relato da firmeza e certeza que ele nutriu de ter um país sem racismo. Seu legado nos orienta a erguermos a cabeça e continuarmos lutando por uma sociedade justa, sem racismo e fraterna”, lastimou o presidente da Fundação Palmares e ex-ministro chefe da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo.

Para o coordenador geral da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), historiador Edson França, o professor Eduardo, como era carinhosamente chamado pela militância “era uma espécie de pai de todos nós”. “Era o militante do militante do movimento negro mais velho na atualidade. Ele tinha a consciência profunda de quem era os inimigos do Brasil, do povo, e ele tinha foco em sua luta. Ele nos ensinou como lutar. Durante toda a sua vida ele militou e contribuiu para a igualdade racial. É uma perda que vai emocionar todo movimento porque é como um pai de todos nós que vai embora”, afirmou emocionado.

SEPPIR lamenta morte

Em Notas, a Secretaria Especial de Políticas da Igualdade Racial (SEPPIR), a Confederação das Mulheres do Brasil, a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e a Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN), lamentaram a morte do lutador. "O movimento negro brasileiro perde hoje, 12 de julho de 2012, um dos seus mais longevos e ilustres militantes, o professor Eduardo de Oliveira. Sem nunca perder a crença de que ainda poderemos viver uma sociedade livre do racismo, o autor do Hino à Negritude nos deixa contribuições importantes como poeta, jornalista, escritor, primeiro vereador negro da cidade de São Paulo, presidente e principal articulador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB)", diz um trecho da nota da Seppir.

“Sempre foi um lutador e muito lúcido. Ele estava numa lucidez tremenda, apesar da idade avançada. Por isso, não esperávamos essa notícia agora”, acrescentou Sandra Mariano, da CONEN.

Quem foi

Paulista, nascido em 1.926, o professor Eduardo de Oliveira, era também conferencista, jornalista e poeta, autor de Banzo (1.965), Gestas Líricas da Negritude (1.967) Evangelho Solidão (1.970), e Hino à Negritude (2.009). Foi fundador presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB).

Viúvo, ele deixa seis filhos, além de netos e bisnetos. Seu filho, José Francisco Ferreira de Oliveira, 54 anos, lembrou a importância do pai na inserção da discussão racial nos partidos políticos.”Um eterno lutador. Essa é a imagem que fica de alguém que lutou a vida inteira para combater a discriminação racial não somente no Brasil, mas no mundo”, declarou. Atualmente, militava no Partido Pátria Livre.

Ouça o Hino à Negritude, cantado pelo seu autor, o professor Eduardo de Oliveira

Da Redacao