Bauru – O Estado vai indenizar a família do garoto negro Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, morto sob tortura em sua própria casa por policiais militares de Bauru, a 343 km de São Paulo, na semana passada. O governador José Serra assinou decreto criando um Grupo de Trabalho, que terá prazo de 30 dias para estipular o valor da indenização.
O menino, suspeito de roubar uma moto, foi abordado por policiais em sua própria casa e torturado com fio elétrico desencapado, enquanto à mãe e irmãos do lado de fora do quarto, acompanhavam seus gemidos, sem nada poder fazer. Levado a um hospital morreu em seguida. O laudo do IML comprovou que levou mais de 30 choques, inclusive, nos genitais.
O decreto de Serra classifica a morte do garoto “envolvendo atos ilegais praticados por policiais”, como “deplorável”. A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária, por 30 dias, dos seis policiais militares suspeitos de cometer a torturar durante ação da PM.
O tenente Roger Marcel Soares de Souza, o cabo Gerson Gonzaga da Silva e os soldados Emerson Ferreira, Ricardo Ottaviani, Maurício Augusto Delasta e Juliano Arcângelo, presos em flagrante, deveriam ser liberados nesta segunda-feira (24/12), porém, o juiz Benedito Okuno, da 1ª Vara Criminal de Bauru, decidiu que devem continuar por, pelo menos, mais 30 dias no Presídio Romão Gomes.
O delegado seccional de Bauru, Donizetti Pinezzi, quer manter os suspeitos presos até o fim do inquérito. Os policiais negam as acusações. O advogado de quatro deles, Luiz Henrique Mitsunaga, contrariando todas as evidências, afirma que o rapaz teve um mal súbito logo após ser algemado em seu quarto e foi socorrido no hospital.

Da Redacao