Rio – Um ano depois do assassinato do ex-jornaleiro Jonas Eduardo Souza Santos que, se estivesse vivo, teria feito 33 anos em agosto passado, na porta de uma Agência do Itaú, no centro do Rio, sua família começa a dar mostras de cansaço com a impunidade que tem marcado o caso. Os pais, irmãose amigos do ex-jornaleiro negro mandarão rezar uma missa para lembrá-lo neste sábado (22/11), às 17h, na Paróquia Nossa Senhora da Luz, Alto da Boa Vista.
Jonas foi friamente assassinado pelo segurança Natalício Marins, no dia 22 de dezembro, às vésperas do Natal, com um tiro no peito disparado à queima roupa, depois de, mesmo sendo cliente há 10 anos da mesma Agência, ter sido submetido a constrangimentos numa revista na porta giratória.
A evidência do motivo fútil demonstrada pelo Ministério Público não foi suficiente para convencer os jurados e o assassino foi absolvido no julgamento realizado em 18 de julho passado, com os jurados aceitando a tese da legítima defesa.
Anulação e recurso
No início de outubro, por decisão unânime dos três desembargadores, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça anulou o julgamento e determinou a sua prisão.
A decisão, entretanto, ficou sem efeito, porque os advogados da Protege, recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Embora o recurso não tenha efeito suspensivo, o segurança aproveitou-se da manobra jurídica para fugir. Se o STJ rejeitar o recurso, ele será preso e aguardará o novo julgamento na cadeia.
Segundo o promotor do caso, Paulo Rangel, a única saída para agilizar fazer cessar a impunidade é a prisão do assassino. “Minha expectativa é prendê-lo. Quando ele for para o cárcere vai querer desistir do recurso. Não vai querer esperar preso”, afirmou Rangel.
Revolta
Os irmãos de Jonas continuam inconformados. Em agosto, quando ele faria 33 anos, lançaram uma Carta/Manifesto – a Carta ao Brasil – protestando pela absolvição do assassino e exigindo Justiça.
Segundo Magna Souza, no sábado, quando completa um ano de sua morte, a família e os amigos mandarão celebrar uma missa na Paróquia Nossa Senhora da Luz, no Alto da Boa Vista. Também farão uma manifestação, às 10h, acendendo velas na porta da Agência onde Jonas foi morto.
“Nossa família e os amigos de Jonas lembrarão o dia de sua morte para exigir Justiça e o fim da impunidade”, afirmou.
Para Josué, outro irmão de Jonas, só será possível acreditar em Justiça no Brasil, no dia que o assassino for condenado e pagar pelo crime na cadeia. “Só assim voltaremos a acreditar que não vivemos no país da impunidade”, acrescentou.

Da Redacao