Brasília – O diplomata, especialista em assuntos africanos e ex-presidente da Fundação Palmares, Carlos Alves Moura, assume na próxima semana (12/01) a função de representante Especial da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para a Guiné-Bissau, escolhido pelo Conselho de Ministros da Comunidade.

A função de Moura será acompanhar o processo eleitoral no país africano, e, em coordenação com as demais organizações internacionais presentes (ONU, União Africana e CEDEAO), identificar oportunidades para a atuação da CPLP.

O nome de Moura foi apresentado pelo Governo brasileiro como candidato ao cargo de representante especial e aprovado por consenso na última reunião de 2013, realizada no dia 25 de novembro. As eleições na Guiné estão marcadas para o dia 14 de março deste ano.

O embaixador Paulo Cordeiro, subsecretário para Assuntos Políticos do Itamaraty, destacou o papel de Moura: “O Brasil considera que o Doutor Carlos Alves Moura possui os pré-requisitos necessários para enfrentar o desafio representado pela tarefa de acompanhar, em nome da CPLP, o processo eleitoral na Guiné-Bissau, bem para contribuir para o reestabelecimento da normalidade constitucional e a retomada dos esforços de desenvolvimento político, econômico e social naquele país, em coordenação com os demais organismos internacionais envolvidos”, afirmou.

Quem é

Carlos Alves Moura é formado em Direito tendo advogado para Sindicatos e Federação dos Trabalhadores Rurais do Rio de Janeiro. Em 1963, assessorou a fundação da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (CONTAG) e em 1976 tornou-se Assessor Jurídico da instituição.

No mesmo ano, mudou-se para Brasília e fundou o Centro de Estudos Afro-Brasileiros (CEAB), do qual foi presidente. Em 1978, foi nomeado assessor para assuntos de cultura afro-brasileira do Ministério da Educação e Cultura.

Teve papel destacado nas articulações com o movimento negro no processo que resultou na criação da Fundação Cultural Palmares, autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, em 1.988, e acabou se tornando o seu primeiro presidente, no Governo do ex-presidente Fernando Henrique.

Como gestor da Fundação Palmares integrou a delegação Delegação Brasileira à III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas em Durban, na África do Sul. 

Entre 2003 e 2007 participou do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, órgão da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR), onde permaneceu, como assessor especial do ministro até 2011, quando foi nomeado coordenador geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra (CNIRC) da Fundação Cultural Palmares.

Atualmente, é assessor político da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Além da atuação em prol da igualdade racial no nível nacional, o diplomata mantém relações históricas com os países de língua português, especialmente a Guiné-Bissau, na qual atuou como Representante Temporário da CPLP entre 2004 e 2006. Em julho 2012, Moura também chefiou a Missão de Observação Eleitoral da CPLP às eleições legislativas em Timor-Leste.

 

Da Redacao