Rio – A médica e ativista negra Edialeda Salgado do Nascimento, secretária nacional do Movimento Negro do PDT, faleceu esta tarde (30/01), às 16h, em decorrência de um enfarto.
Edialeda foi uma das mais importantes ativistas do Movimento Negro carioca e brasileiro durante os anos 80 e 90. Foi a primeira mulher negra a assumir um cargo de importância no Estado – a Secretaria da Promoção Social – durante o Governo do ex-governador Leonel Brizola
História
Edialeda nasceu no Rio e é filha de Ary Salgado e Augusta do Nascimento, tendo se graduado em Medicina pela Universidade de Valença (RJ). Ela integrou o Gabinete Civil do Presidente João Goulart, fundou e presidiu o Instituto Centro e Memória e Documentação Afro-Brasileira do Rio de Janeiro; atuou como conselheira em diversas pastas em diferentes épocas, a exemplo do Conselho Estadual de Educação do Rio e dos Conselhos de Justiça, Segurança Pública, Direitos Humanos, Igualdade Racial, Entorpecentes e do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, da qual foi vice-presidente.
Edialeda também foi uma das organizadores do I Congresso de Mulheres Negras das Américas, realizado no Equador, em 1.984, e, em 1.990, recebeu o título de Médica do Ano, outorgado pelo Conselho Nacional de Mulheres.
Foi uma das organizadores do Quilombo 92, simpósio da comunidade negra internacional no Fórum Global paralelo a Rio 92. Durante o evento apresentou um trato contra o racismo, que foi discutido e aprovado pelos participantes.
Edialeda também foi delegada do Movimento Pan-Americano do 4º Congresso Mundial de Mulheres, realizado pela ONU, na China, em 1.995. É detentora da Ordem do Mérito dos Palmares, concedido pelo Governo do Estado de Alagoas, em 2.005.
Entre as condecorações está a Medalha Pedro Ernesto, conferida pelo município do Rio de Janeiro, em 2.006. Também atuou como delegada do PDT no 23º Congresso Internacional Socialista em Atenas, na Grécia.
A médica e ativista negra falecida integra a Academia Neolatina e Americana de Artes e publicou três obras literárias: “Mulheres e Tecnologia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1993; “Brizola, lições e atualidade”, pela ISBN, lançado em Salvador, em 2004; e “Brasil, cultura plural”, pela Fundação Leonel Brizola, lançado em Belo Horizonte, em 2005.

Da Redacao