Salvador/BA – O Movimento Negro brasileiro perdeu na manhã desta quinta-feira (03/01) um dos seus intelectuais mais brilhantes: o professor e historiador baiano, Ubiratan Castro, 64 anos, ex-presidente da Fundação Cultural Palmares e diretor da Fundação Pedro Calmon, ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

Ubiratan, Bira, como era chamado e conhecido, morreu por volta das 7h, no Hospital Espanhol, no qual estava internado desde 30 de setembro do ano passado. Ele sofria de insuficiência renal. Sua mulher, Maria da Glória Machado, informou que aguarda a chegada dos filhos, que vivem em S. Paulo, para definir o local do sepultamento.

Ubiratan Castro também pertencia ao corpo docente da Universidade Federal da Bahia, e deu aulas no Departamento de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Foi um dos fundadores do Centro de Estudos Afro-Orientais.

Quem era

O historiador morto, nasceu em Salvador no dia 22 de dezembro de 1.948. Era Doutor em História pela Université Paris IV-Sobronne, Mestre em História pela Université Paris X – Nanterre, licenciado em História pela Universidade Católica de Salvador e Bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia.

Também integrava a Academia de Letras da Bahia, onde ocupava a cadeira 33, que tem como patrono o poeta Castro Alves. Foi Diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador e Irmão da Veneranda Ordem do Rosário de Nossa Senhora dos Homens Pretos a Portas do Carmo, localizada na Igreja do Rosário dos Pretos no Largo do Pelourinho

Entre os prêmios e títulos que recebeu em vida, destacam-se a Medalha do Bicentenário da Restauração Portuguesa da Academia Portuguesa de História, o Troféu Clementina de Jesus, da União dos Negros pela Igualdade (UNEGRO), a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara Municipal de Salvador e a Comenda da Ordem do Rio Branco, condecoração oferecida pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O historiador é autor dos livros A Guerra da Bahia, Salvador era Assim – Memória da Cidade, Sete Histórias de Negro (primeiro trabalho de ficção) e Histórias de Negro.

Foto: Jornal A Tarde, de Salvador

Da Redacao