S. Paulo – A repercussão dos debates da Audiência Pública no Supremo Tribunal Federal e a indignação com o discurso racista de representantes do Partido Democratas (DEM), desencadearam em S. Paulo um movimento de mobilização a favor das cotas e ações afirmativas que promete ganhar às ruas das principais capitais do Brasil.
No sábado – um dia após o encerramento da Audiência Pública – cerca de 500 jovens, na sua maioria negros, mobilizados pela UNEAFRO (União de Núcleos de Educação Popular para Negros (as) e Classe Trabalhadora) lotaram o auditório do Sindicato dos Químicos de S. Paulo, em um ato pela constitucionalidade das cotas e conseqüente rejeição pelo STF da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental movida pelo Partido Democratas (DEM).
Se a ação do DEM for julgada procedente, a adoção das cotas e ações afirmativas passará a ser considerada inconstitucional.
O ato que inaugurou o ano letivo dos cursinhos da UNEAFRO reuniu representantes de 17 cidades do Estado.
Mobilização
Segundo Douglas Belchior, membro do Conselho Geral da UNEAFRO, que coordenou a mesa, o objetivo do ato foi iniciar o processo de formação política dos estudantes dos cursinhos e reunir forças a favor das ações e ações afirmativas.
Além de lideranças de 17 cidades do Estado nas quais a UNEAFRO está organizada, estiveram presentes Milton Barbosa, fundador do Movimento Negro Unificado (MNU), Paulo Rodrigues, da direção nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), Edson França, Coordenador geral da UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), Cidinha da Silva, do INSPIR, o rapper Aliado G, da Nação Hip Hop, Luciana Araújo, da Revista Debate socialista, Joselício Júnior, Juninho, do Círculo Palmarino, Alex Minduim, da Gaviões da Fiel, Wagner Hosakawa, secretario da Assistência Social de Guarulhos e Gabriel Sampaio, do coletivo Consulta Popular.
Também participaram do ato os professores Evandro Luis, Pró-Reitor Comunitário da Universidade S. Francisco e Ana Karin, da FESB, o presidente do Sindicato dos Bancários de S. Paulo, Luiz Cláudio, e os deputados, Ivan Valente e Raul Marcelo (PSOL-SP), e José Cândido e Vicente Cândido – ambos do PT paulista.
Direito à inclusão
Para Elenilza Ferreira, de Bragança Paulista, que pertence ao Conselho Geral da UNEAFRO, a única forma de pobres e negros no Brasil terem acesso à Universidade é por meio das cotas. “Queremos um ensino público melhor e os nossos alunos dentro da universidade pública, mas o sistema não permite isso”, afirmou.
Segundo João Paulo Rodrigues, que falou em nome da direção nacional do MST, “a luta pelo acesso de negros e trabalhadores à faculdade é uma luta que unifica os movimentos do campo e da cidade”. “A juventude aqui presente deve se mobilizar cada vez e lutar por esse direito” disse.
Por sua vez, Joselício Júnior, Juninho, disse que as cotas são a reparação histórica de uma população que foi escravizada no Brasil e no processo de abolição foi excluída social, econômica e culturalmente.”E sabemos que em nossa sociedade a produção de conhecimento é produção de poder também”.
Emoção
O fundador do MNU, Milton Barbosa, se emocionou durante o ato. “Estou hoje recebendo um presente. O empenho e a luta contra o racismo e por políticas sociais para o povo negro norteou minha vida e a vida do MNU. Ver essa juventude encampar essa mesma luta é um presente.”,
No encerramento, Douglas Belchior anunciou como tarefa em todos os núcleos, o envio de e-mails para os ministros do Supremo Tribunal Federal e a organização de uma caravana para Brasília quando do julgamento da ação movida pelo DEM contra as cotas e ações afirmativas.
“Vamos continuar a formação em cada núcleo e organizar ônibus para Brasília, pois a pressão popular será fundamental para manter as cotas existentes hoje em mais de 90
universidades públicas” concluiu.

Da Redacao