Brasília – O Ministério Público do Distrito Federal deverá concluir esta semana a perícia feita nos computadores apreendidos na casa do estudante Marcelo Valle Silveira Mello, 20 anos, responsável por mensagens racistas no site de relacionamentos Orkut. Mello, que é alvo de uma investigação preliminar, que corre na 6ª Vara Criminal de Brasília, também é acusado de ter retirado do ar, por cerca de 10 dias, a Afropress – Agência Afroétnica de Notícias, provocando prejuízos também ao provedor onde o site era hospedado.
Por essa razão, no processo de nº386, a ONG ABC SEM RACISMO, a qual pertence o projeto Afropress, figura como terceiro interessado.
O estudante do Curso de Letras da Universidade de Brasília foi identificado, inicialmente pelo Ministério Público de S. Paulo, como autor de mensagens racistas em comunidades do Orkut. Ele ofendia a população negra nessas mensagens revoltado, particularmente com a política de cotas já adotada por 17 Universidades brasileiras, inclusive a de Brasília, onde estuda. Numa dessas mensagens dizia: “Já não basta preto roubando dinheiro, agora ele também rouba vaga nas universidades. O que mais vai roubar depois?”.
Quase ao mesmo tempo em que era identificado na investigação conduzida pelo promotor Christiano Jorge Santos, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do MP paulista, Mello atacou a Afropress, assumindo o crime com e-mails em que fazia desafios. “Olá, Pode ficar calminho que o ataque desse fim de semana só foi o primeiro de muitos. Só vou me contentar quando eu falir essa porra de afropresscomunicacao.hospedagemdesites.ws, mexeu com a pessoa errada seu bosta”,dizia em mensagem no dia 02 de agosto.
No dia 03, às 14h24, nova ameaça. “Espere esse próximo fim de semana, que eu vou te mostrar o que é seguro negão, usar teu site pra fuder com o nome dos outros é legal né”… já que é assim vou mostrar do que eu sou capaz, não preciso nem te dizer quem sou eu, né? Ou preciso?
De qualquer jeito… não existe “servidor seguro” quando um maluco tem controle de mais de 200 máquinas com links de 10/100 mbps, você vai cair de novo, e de novo, e sempre, até se desculpar com o que tu me fez.. Sem mais, Você tem até o próximo sábado pra tirar, se não, já sabe o que vai acontecer”.
Por conta de um paciente trabalho de investigação da jornalista Dolores Medeiros, Coordenadora de Redação da Agência, com o auxílio de informações fornecidas pelo provedor onde o site estava hospedado – o Hotel da Web de Curitiba – foi possível identificar Mello como o autor das mensagens pelo e-mail que usava: br0k3d. O caso foi então encaminhado pelo MP de S. Paulo à Brasília, onde a Justiça local determinou a busca e apreensão de computadores e disquetes na casa do acusado e de familiares nas Asas Norte e Sul – áreas de classe média do Plano Piloto, em Brasília.
Com a conclusão da perícia, o promotor que cuida do caso, Marcos Antonio Julião, do Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado do MP, decidirá pela denúncia formal de Mello à Justiça para ser processado por crime de racismo, considerado inafiançável e imprescritível pela Constituição. Se condenado ele pode pegar até 5 anos, sem contar com a ação na Justiça cível, que a OnG ABC sem Racismo, deverá impetrar requerendo indenização pelos danos sofridos com a retirada do site do ar. A entidade já está constituindo advogado em Brasília para cuidar do caso.

Da Redacao