S. Paulo – O Ministério Público de S. Paulo determinou a realização de novas diligências no caso dos três menores negros agredidos e humilhados por seguranças do Hipermercado Extra, do Grupo Pão de Açúcar, da Marginal do Tietê na Penha.
A promotora Vânia Maria Tuglio, que acompanha o caso, devolveu o Inquérito ao delegado Marcos Aníbal Arbues Andrade, do 10º DP da Penha e determinou que a Polícia Civil ouvisse novamente os três para que fizessem o reconhecimento, por fotos, das dependências da loja para onde foram levados, sob a acusação de que teriam furtado mercadorias que haviam sido pagas.
Os menores T., hoje com 11 anos, W. e M., respectivamente com 13 e 14 anos, foram obrigados a tirar a roupa sob a ameaça de chicotes e xingados de “negrinhos fedidos”. Além das ameaças e xingamentos, W. e M disseram à Polícia que também foram agredidos com tapas no peito e nas áreas genitais.
O caso aconteceu em janeiro de 2011, e a família de T. já foi indenizada pelo Pão de Açúcar. O Grupo, porém, se recusa a extender o valor da indenização de R$ 260 mil às famílias dos dois outros menores e, segundo o advogado Alexandre Mariano, constituído pela família de ambos, vem tentando abafar a investigação.
Reconhecimento
No ato de reconhecimento ocorrido na semana passada, W. e M. reconheceram a sala em que foram agredidos. T, contudo, não compareceu. Segundo Mariano, o pai do menor, Diógenes Pereira da Silva (foto), mudou de postura após ser indenizado, passou a ter comportamento arredio e não vem atendendo às convocações para depor.
O advogado disse que pedirá uma reunião com a representante do Ministério Público para relatar as dificuldades que tem sido criadas pelo Grupo Pão de Açúcar para apurar o caso de agressão que teve repercussão nacional e internacional a partir da denúncia feita pela Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP e do noticiário da mídia e dos telejornais das principais redes de TV.
Operação Abafa
Segundo o Mariano, o Grupo tem atuado para que a investigação não seja conclusiva quanto a responsabilidade de dois dos seguranças acusados e já reconhecidos pelos menores. Embora tenham sido reconhecidos, Márcio Ojeda e Jefferson Alves Domingos não foram indiciados pelo delegado. Este último, inclusive, de acordo com o advogado, continua trabalhando normalmente na loja.
O advogado disse que manifestará ao MP sua estranheza pelo fato de os acusados – mesmo reconhecidos – não terem sido formalmente indiciados no Inquérito.
“A situação é ainda mais grave porque o Grupo Pão de Açúcar vem se utilizando disso para não reconhecer sua responsabilidade pela agressão aos dois outros menores, enquanto – indiretamente – assumiu, no caso de um deles, ao indenizá-lo”, afirmou.

Da Redacao