Salvador – O Ministério Público da Bahia denunciou por crime de discriminação a ex-superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo da Prefeitura de Salvador (Sucom), Kátia Carmelo, que autorizou a destruição do templo Oyá Onipó Neto, no mês passado.
Também foram denunciados pelo MP outros três membros da Sucom: o engenheiro civil Sylvio Bastos, o técnico em manutenção Antônio Carlos Santos e o supervisor de operações Sérgio Spinelli.
A destruição do terreiro, que fica na Avenida Jorge Amado, Bairro do Imbuí, aconteceu no último dia 27 de fevereiro e provocou uma onda de indignação e revolta na comunidade negra baiana, em especial, nos adeptos do candomblé e religiões de matriz africana. O líder religioso e coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcos Rezende, chegou a ficar em greve de fome por cinco dias, até que o prefeito João Henrique (PMDB), que é evangélico, pedisse desculpas públicas e se comprometesse a respeitar a integridade dos tempos religiosos do candomblé.
De acordo com o promotor Almiro Sena, os quatro denunciados “promoveram e executaram a demolição, causando elevadíssimos danos materiais e, principalmente, produzindo graves e irreversíveis ofensas a todas as pessoas que têm sua referência religiosa naquele terreiro de candbomblé”.
O promotor diz ainda que a justificativa apresentada pelos funcionários da Prefeitura de que o local estava registrado como oficina mecânica que funcionava ilegalmente, não procede, uma vez que o terreiro encontra-se regularmente inscrito na Associação Brasileira de Cultura Afro-Ameríndia, formalmente identificada pela Prefeitura de Salvador desde 2007, através do projeto “Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador”.

Da Redacao