Brasília – O Ministério Público de Brasília, por intermédio da Procuradoria da República do Distrito Federal, instaurou inquérito para investigar se a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) cometeu crime de incitação ao racismo por dizer, em entrevista a BBC Brasil, não considerar racismo “quando um negro se insurge contra um branco”.
As declarações de Matilde que se transformaram em álibi para o ataque sistemático da mídia neo-racista, foram objeto de uma representação do Instituto de Cooperação e Desenvolvimento Humano e Social (Codhes), uma desconhecida entidade de Brasília presidida por Abiail Ferreira.
“Eu quero saber o que ela quis dizer. E nada melhor do que ela mesmo se justificar”, afirmou. “Eu não tenho opinião formada. Só quero ouvir a justificativa dela e como entidade fomos chamados a nos posicionar”, disse Ferreira.
A entrevista com Matilde foi veiculada no dia 27 de março e provocou reação imediata, especialmente de setores da mídia, que aproveitou para fazer campanha contra as cotas e as ações afirmativas.
A própria Matilde, à época divulgou nota dizendo que a frase apareceu no título “de maneira descontextualizada induzindo o leitor ao equívoco”. “A ministra deixa claro, no decorrer da conversa, que ‘não está incitando’ esse tipo de comportamento”, afirmava a nota.

Da Redacao