Salvador – O livro “Orixás, caboclos e guias – Deus ou demônios”, de autoria de Edir Macedo, em que o chefe da Igreja Universal sataniza as religiões de matriz africana, poderá ter a circulação proibida pela Justiça.
O Ministério Público Federal na Bahia, por intermédio dos procuradores Cláudio Gusmão e Sidney Madruga, considerou o livro “preconceituoso, racista e contra a liberdade religiosa do Brasil” e entrou com ação civil na 4ª Vara da Justiça Federal de Salvador pedindo seu recolhimento imediato em todo o país.
O procurador Gusmão disse que a ação pode ter desdobramento criminal devido aos supostos delitos cometidos por Macedo. “Identificamos racismo e agressões injustificáveis a adeptos das religiões de origem africana”, disse, explicando que a parte criminal será analisada por outro setor do MP.
Para Gusmão “o livro atinge o direito individual das pessoas, as comidas do candomblé, que já se incorporaram à culinária baiana, e a toda uma cultura que precisa ser respeitada”. Ele acrescentou que, além de criticar as outras religiões o chefe da Igreja Universal do Reino de Deus tenta atrair os leitores para a Igreja, passando a idéia que é a única que não está associada ao demônio e práticas demoníacas.
Os procuradores rechaçam a idéia de que estariam praticando censura, argumentando que tiveram a preocupação de separar a liberdade de expressão da liberdade de manifestação religiosa.
O livro de Macedo foi lançado há três anos e nele, e entre outras ilações, Macedo sustenta que as religiões de origem africana seriam as responsáveis pela subdesenvolvimento do Brasil e provocariam “doenças, desavenças, vícios” e demais males que assolam o ser humano.

Da Redacao