Brasília – A “Operação Abafa” para retirar a conotação racista do atentado sofrido na semana passada pelos estudantes africanos da UnB, com o incêndio por criminosos de seus apartamentos, passou a preocupar até mesmo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
A Coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação, Laís Cerqueira da Silva, pediu nesta segunda-feira, 02/04, as cópias dos inquéritos às polícias Civil e Federal, preocupada com a tendência da Polícia a retirar do caso a conotação de crime racial.
“Precisamos saber se há qualquer referência de natureza racista nos inquéritos e na ocorrência policial. A investigação tem buscado descartar ao máximo essa questão. Isso pode comprometer drasticamente a investigação e seria um grande equívoco”, observa a promotora.
As investigações sobre o caso também deverão contar com a colaboração do Ministério Público Federal, já que a UnB pertence à União e foi alvo de um atentado que representou danos materiais. Segundo o MPDF, até o fim desta semana deverá ser designado um procurador federal do DF para acompanhar o caso.
Suspeitos
Por outro lado, um dos cinco suspeitos apontados pelos estudantes africanos – o estudante Wagner Guimarães, de Engenharia Florestal -, tornou-se celebridade instantânea e agora dá entrevistas ao Fantástico, beneficiado pela cobertura complacente de uma mídia que pratica racismo institucional.
Ele negou participação no caso e apresentou documentos tentando provar que os desentendimentos são antigos, fazendo esforço para demonstrar que não houve conotação racista, como se isso tornasse o crime aceitável. Segundo um advogado criministalista que pediu que seu nome fôsse omitido, “em qualquer outro crime, com o grau de gravidade do atentado aos estudantes africanos, o suspeito ou suspeitos teriam tido a prisão preventiva requerida à Justiça e não estariam tentando banalizar uma situação gravíssima como esta”.
Além de Wagner, dois outros estudantes – de nomes Roosevelt e Francisco – são apontados pelos estudantes africanos como suspeitos de participação.

Da Redacao