Rio – O Ministério Público Federal (MPF) no Rio recomendou a TV Globo “que não sejam mais transmitidas na novela “A Lua me disse” cenas que exponham a personagem Índia a situações constrangedoras e degradantes”, informa o colunista da Folha Daniel Castro.
Interpretada por Bumba, 73, a personagem Índia é empregada na casa de Ademilde (Arlete Salles) e era constantemente humilhada pelas irmãs da patroa. A Globo justificou as cenas, alegando que a novela, de autoria do ator e diretor Miguel Falabella é uma obra de ficção e que já estava prevista uma reviravolta na história da personagem.
O MPF considerou a resposta da Globo insatisfatória e estuda entrar com ação. Bumba estreou na Globo em 2000, em “A Muralha”, após ser descoberta por um produtor de cinema norte-americano.
A Afropress já havia registrado o protesto do movimento indígena contra os abusos sofridos pela personagem. Uma nota de repúdio assinada por lideranças indígenas chegou a ser enviada ao Congresso Nacional.
Segundo o índio Olívio Jekupé, filósofo e escritor de uma comunidade
próxima a Parelheiros, em São Paulo, a personagem ajuda a desmoralizar ainda mais a imagem do índio.
“Ela [a empregada da novela] está sempre sendo humilhada, é tratada
como animal. O nosso povo já é visto erroneamente como atrasado, e a
novela piora a situação. Acho que os autores da novela não têm noção
do que estão escrevendo”, reclamou.
O antropólogo Aloir Pacini, professor da Universidade do Mato Grosso e supervisor do Museu Rondon lembrou o poder que a TV tem para multiplicar os preconceitos e estereótipos. “Ela é tratada de forma exótica, como se fosse um bicho. Ela é muito maltratada. E isso acaba sendo multiplicado, pois a TV tem uma grande capacidade de difundir imagens sintéticas nas mentes das pessoas. Esse não é o papel da televisão”, afirmou.

Da Redacao