S. Paulo/Rio – Foram de aprovação e simpatia as primeiras reações à nomeação do produtor, ator e diretor de teatro, Hilton Cobra, 56 anos, o Cobrinha, para a presidência da Fundação Palmares, autarquia vinculada ao Ministério da Cultura.

A informação sobre a saída do atual presidente ex-ministro, Elói Ferreira de Araújo, foi dada com exclusividade pela Afropress na última quinta-feira, 31 de janeiro, e confirmadas por Elói, que acrescentou ter sido chamado por Marta no dia anterior para lhe pedir o cargo e lhe comunicar o nome do sucessor. A nomeação de Cobrinha deverá ser publicada no Diário Oficial após o carnaval, o mesmo ocorrendo com a posse, ainda sem data definida.

O historiador Edson França, coordenador geral da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), corrente política ligada ao PC do B, disse ter um “enorme carinho e respeito pelo Elói como quadro político”, porém, destacou que está muito otimista com a escolha de Marta para a Palmares. “Acho que, sendo ele do meio cultural, comprometido como é, fará um grande trabalho na Palmares”, afirmou França.

Realizador cultural

Para o coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras (CEN), jornalista Márcio Alexandre Martins Gualberto (foto), a escolha de Cobrinha pela ministra Marta Suplicy foi acertada. “Particularmente gosto muito do Elói, mas gostei da mudança. Cobrinha é reconhecido como um realizador cultural. Elói não tinha ligação direta com o tema e isso pesa”, afirmou.

O fato de Cobrinha ser alguém ligado diretamente ao meio cultura e, em especial, a cultura negra foi destacado por outros entrevistados ouvidos por Afropress sobre as mudanças.

Empreendedor

O secretário executivo do Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP), poeta e escritor, Éle Semog, disse confiar que a mudança na direção da Fundação Cultural Palmares causará um grande impacto nas políticas voltadas para as questões raciais e de superação do racismo por m eio da cultura. "Há muito havia uma distância e uma falta de articulação entre a Palmares, a SEPPIR e outros órgãos que tratam direta, ou indiretamente desses temas", afirmou.

Para Semog (foto) "a chegada do Cobrinha como gestor da FCP vai trazer um grande dinamismo para as questões culturais negras no âmbito do Governo. "Ele é um bom gestor, um homem que entende de cultura e, em especial de cultura negra, um empreendedor de primeira grandeza", acrescentou.

Homem de Axé

Por sua vez, a jornalista e escritora Rosiane Rodrigues (foto), também destacou o ativismo do novo presidente da Fundação Palmares. "Ele é um ativista potente, que diz coisas certas nas horas certas e tem visão global sobre as culturas afrobrasileiras. Seu estilo engajado e a boa administração no Centro Cultural José Bonifácio (RJ), além do belo trabalho realizado na Cia dos Comuns, faz com que as pessoas – ativistas, artistas e intelectuais – as quais ouvi para formar minha opinião, se mostrassem otimistas com ele à frente da Fundação Cultural Palmares”, afirmou.

Por outro lado ela lembrou que agora, Cobrinha “deixou de ser pedra para ser vidraça".”Nos últimos anos ele foi um dos mais ferozes críticos da política de editais do MInC e da Funarte, alegando falta de democracia relativa a participação de negros/negras, nos projetos patrocinados com dinheiro público, e terá que dar uma resposta a isso. Não duvido que dê, principalmente por seu grande número de apoiadores, mas temo que seja uma tarefa árdua”, lembrou.

A jornalista, que é mestranda em Antropologia e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense, também ressaltou o fato do novo presidente ser “um homem de axé, e por isso mesmo, deve estar comprometido com a manutenção e catalogação dos patrimônios materiais e imateriais das diversas expressões religiosas de matrizes africanas – pontos nevrálgicos que suscitam a ira dos representantes da bancada evangélica”, ressaltou.

“Neste sentido, incrementar a catalogação das casas de santo do país não é apenas um desafio para o presidente da FCP, mas para o próprio governo –  que deve também mostrar ao que veio para os povos de terreiro, herdeiros de tradições seculares que precisam ser protegidas”, finalizou. 

Da Redacao