S. Paulo – Mulheres Negras de todo o país lideradas pela presidente da Casa das Mulheres Negras de Santos, Alzira Rufino, entregam no próximo dia 1º de fevereiro, em Brasília, documento em que protestam contra a minissérie JK, de Maria Adelaide Amaral, levada ao ar pela Rede Globo de Televisão.
A minissérie que retrata a vida do ex-presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, além de reproduzir estereótipos que mostram a população negra sempre em posição subalterna – em especial a mulher, vítima constante de violências e estupros -, também omite as origens ciganas do ex-presidente.
Segundo a carta que será entregue as ministras Dilma Russef, da Casa Civil, e Matilde Ribeiro, da Seppir, “a minissérie apresenta a mulher negra em cenas agressivas e em constrangedora submissão ao homem branco, registrando explicitamente a prática de estupro, violência doméstica e racismo”.
No documento as mulheres negras pedem as Ministras do Governo, Nota Pública de desacordo com a veiculação de cenas que degradam a honra e a imagem das mulheres negras e gestões junto à Rede Globo de Televisão com vistas à reparação da violência que sofremos que poderá se dar via veiculação de programas educativos para a não-violência contra as mulheres negras.
Veja a Carta, na íntegra:
Nos reportamos a Vossas Senhorias como mulheres negras brasileiras tendo
em vista as recentes agressões à auto-estima da população negra,
especificamente das mulheres negras, na minissérie JK, da Rede Globo
de Televisão, em exibição no chamado horário nobre, que apresentou a
mulher negra em cenas agressivas e em constrangedora submissão ao homem
branco, registrando explicitamente a prática de estupro, violência
doméstica e racismo.
Até o momento não vimos manifestações de desacordo, repúdio ou um mero
questionamento dos meios oficiais seja por parte do executivo federal,
seja de parlamentares que nos representam na Câmara Federal e no Senado.
Se não se manifestam discordando da degradação da honra e da imagem das
mulheres negras, o silêncio é compreendido, indubitavelmente como
concordância.
Temos a opinião que é inadmissível que tais omissões continuem a
ocorrer. Esperamos do governo brasileiro, mas em especial das Srªs.
Ministras em articulação com o Ministério das Comunicações, no mínimo:
1. Nota Pública de Desacordo com a veiculação de cenas que degradam a
honra e a imagem das mulheres negras;
2. Gestões junto à Rede Globo de Televisão com vistas à reparação da
violência que sofremos, que poderá se dar via veiculação de programas
educativos para a não-violência contra as mulheres negras;
3. Garantia de Interlocução real com as lideranças negras deste país,
para que, juntos, possamos acordar ações cotidianas de repúdio a
tratamentos e imagens degradantes, como as criadas pela autora, Maria
Adelaide Amaral, e veiculadas pela Rede Globo de Televisão; e,
igualmente importante, buscar caminhos de combate em tempo hábil à
articulação racista que se consolida em nosso país com o intuito de
manter privilégios seculares dos brancos, inclusive sobre a sexualidade
das mulheres negras.
No aguardo de um pronunciamento por parte das Srªs. ministras,
colocamo-nos à disposição para sanar quaisquer dúvidas.
Atenciosamente,
Casa de Cultura da Mulher Negra
 
 
 

Da Redacao