S. Paulo – O Brasil vive hoje um momento decisivo da nossa história. A frágil democracia conquistada após 21 anos de ditadura militar corre grave risco.

Nossos direitos, as liberdades democráticas que custaram a luta e o sangue de brasileiros, estão sendo ameaçados por um governo de extrema direita, de natureza nazifascista e militarizado que avança – dia sim, outro também – sobre as instituições constituídas ao longo de quase 33 anos de vigência da Constituição de 1.988.

O governo do genocida Bolsonaro, além de ser responsável por, pelo menos 100 mil mortes durante a pandemia, por sabotar abertamente a vacinação conforme está sendo provado pela Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado, passa a liderar abertamente o processo golpista com suas “motociatas”, em que promove aglomerações disseminando o coronavírus e reunindo sua horda fascista nas grandes cidades como S. Paulo e Rio de Janeiro.

Nessas aglomerações criminosas não faltam palavras de ordem de ataque às instituições que ainda restam, como o Supremo Tribunal Federal – a mais alta corte de Justiça do país.

São comuns os gritos da horda “Supremo é o povo” e a exaltação a intervenção militar aberta, como se já não estivéssemos sob um governo militar com  a Esplanada dos Ministérios, empresas públicas e autarquias tomadas por militares, que se assumiram como uma espécie de guarda pretoriana do bolsonarismo.

Em artigo publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, na edição deste domingo (13/06), o general Carlos Alberto Santos Cruz, que foi ministro do atual Governo, denuncia que Bolsonaro “alimenta um fanatismo que certamente terminará em violência”.

É o recente e mais grave alerta de que o genocida prepara um levante que poderá resultar numa guerra civil com apoio das polícias militares infiltradas, milícias e grupos civis cujo armamento vem incentivando.

A consequência mais dramática de um levante bolsonarista seriam prisões em massa, assassinatos de lideranças populares por grupos paramilitares, antes mesmo das eleições do ano que vem, cujos resultados ele não respeitará, segundo tem anunciado ao questionar o voto eletrônico.

Por tudo isso, e diante de uma oposição fraccionada e sem um projeto de resistência ao golpismo em marcha, é o momento das multidões ocuparem às ruas para dizer um “Não” ao golpismo protofascista.  No próximo sábado, 19 de junho, na sua cidade, na sua região é hora de ir para as ruas.

Só as multidões nas ruas poderão barrar o projeto golpista. Só as ruas inundadas por gente disposta à resistência poderá sinalizar que, não será será dado nem um passo atrás, e que barraremos por todos os meios o processo golpista em andamento.

Ainda que as condições sanitárias impostas pela pandemia dificulte a mobilização popular sob risco da própria vida, é hora de tomar as ruas. Pegue sua máscara, arme-se com o seu álcool em gel, mantenha o distanciamento necessário, coloque em prática os protocolos das autoridades sanitárias e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Mas, tomemos às ruas no próximo sábado, no 19J. Ainda há tempo. Se não fizermos isso agora, depois poderá ser tarde.

Dojival Vieira é advogado, militante político e jornalista responsável pela Afropress.