S. Paulo – O rapper carioca MV Bill, dirigente da Central Única das Favelas (CUFA) e ator do seriado Malhação da Rede Globo, a cantora e deputada estadual pelo PC do B de S. Paulo, Leci Brandão, e o deputado federal Valmir Assunção (foto), do PT da Bahia, são os novos nomes que passaram a ser cogitados para o cargo de ministro da Secretaria da Igualdade Racial (SEPPIR), em substituição a socióloga Luiza Bairros na mini-reforma ministerial promovida pela Presidente Dilma Rousseff e que esta semana entra na sua fase decisiva.
O nome do deputado Valmir Assunção, que é negro e ligado ao Movimento dos Sem-Terra, está sendo sugerido pelo secretário Nacional da Diversidade Humana da União Geral dos Trabalhadores (UGT), a terceira central sindical do Brasil, Magno Lavigne.
Leci
No caso da deputada Leci, que cumpre o seu primeiro mandato na Assembléia Legislativa, seu nome passou a ser articulada a partir de S. Paulo, por lideranças negras para quem, a sambista preenche todos os critérios para a SEPPIR: “Ela é mulher, negra, tem uma grande visibilidade nacional e uma grande capacidade de diálogo com todos os setores do Movimento Negro”, afirma uma dessas lideranças que pediu que seu nome não seja, por enquanto, divulgado.
A sondagem a Bill foi feita pelo próprio ex-Presidente Lula, numa reunião realizada há cerca de 20 dias, em S. Paulo e da qual participou Celso Atayde, produtor e um dos fundadores da CUFA. Atayde confirmou a reunião a lideranças do PT de S. Paulo, porém, desconversa sobre a resposta que Bill teria dado ao ex-presidente.
Anteriormente, Lula já havia sugerido a Dilma a troca de Luiza pelo senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul..
Sem Terra e Movimento Comunitário
Segundo Lavigne, o nome de Assunção preenche o perfil pelo compromisso com a luta pela igualdade racial e pela terra e também aos critérios regionais de ocupação de espaços na Esplanada. “Com Assunção, a Bahia que é o Estado com maior população negra em números percentuais, continuaria representada na Esplanada”, afirmou. A atual ministra Luiza Bairros, embora gaúcha, está há muitos anos radicada na Bahia, e sua indicação teve o aval do governador Jaques Wagner.
Afropress apurou que Bill e Atayde teriam ouvido do ex-presidente Lula que a ida para a SEPPIR de uma figura de projeção nacional e de grande visibilidade contribuiria para lançar luz sobre as políticas públicas do Governo destinadas a atender as demandas da população negra.
Lideranças negras cariocas, como o jornalista Márcio Alexandre, coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN), porém, consideram que o rapper não tem perfil político nem de gestor para se tornar ministro, além de ser “estranho ao Movimento Negro”.
Paim, reticente
Embora, não tenha se manifestado ainda a respeito da sugestão do ex-presidente, Paim estaria reticente em assumir a SEPPIR. Segundo analistas ouvidos por Afropress, por ser uma figura de expressão nacional, e nome que conta com quase consenso no Movimento Negro brasileiro, “Paim teria dificuldades de fazer com que a Secretaria aumentasse de tamanho no interior do Governo, sem orçamento e sem uma articulação com os demais ministérios visando garantir a transversalidade das políticas em favor da população negra”.
Pessoas da sua base social, no Rio Grande do Sul, também não estariam vendo com bons olhos sua saída do Senado.
Além de Paim, o deputado federal Vicente Paulo da Silva, Vicentinho, também está sendo cogitado e tem o apoio de setores expressivos da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), articulação de lideranças negras ligadas ou próximas ao PT. Vicentinho, que na montagem do Governo Dilma, chegou a tornar público o seu desejo de se tornar ministro, desta vez, não estaria demonstrando o mesmo entusiasmo.

Da Redacao