Rio – O cantor Caetano Veloso lançou a candidatura do rapper MV Bill ao Senado, pelo Rio, no show comemorativo ao aniversário dos 444 anos do Rio realizado na Cidade de Deus, na noite deste domingo, 1º de março, em Cidade de Deus. “Quero ver Bill no Senado, representando o povo do Rio, as favelas do Rio, as periferias do nosso Estado”, disse Caetano.
A reação da multidão que assistia ao show, calculada em cerca de 20 mil pessoas, foi de tanto entusiasmo que a Cufa Central Única das Favelas, que tem Bill como um dos dirigentes, mandou encomendar pesquisa para chegar a densidade eleitoral do nome do rapper.
O cantor destacou a importância do trabalho social da CUFA nas favelas espalhadas pelo Brasil, para explicar o porque MV Bill deve ser candidato a senador. “Essas ações são importantes para a humanização da população carente” – disse ele.
Do samba-enredo ao Rap
Antes de se decidir pelo rap, Bill chegou a cantar um samba-enredo composto por seu pai na quadra de uma escola de samba. Mais tarde adotou a alcunha de MV (Mensageiro da Verdade) Bill.
Com letras marcadas pela denúncia social, lançou em 1998 o disco CDD Mandando Fechado pelo selo Zâmbia, relançado pela Natasha Records/BMG um ano depois com o título Traficando Informação. Ainda em 1999 participou do Free Jazz Festival, evento praticamente sem tradição com artistas de rap brasileiro da periferia, sem apoio da grande mídia. No concerto, MV Bill se apresentou com uma arma na cintura, que mais tarde afirmou ser de brinquedo.
Entre suas atitudes consideradas “extravagantes” estão o fato de só dar entrevistas na Cidade de Deus e de usar o pseudônimo Alex Pereira Barbosa como nome alternativo. Ficou ainda mais conhecido em 2000, ao estrelar uma campanha publicitária de televisão contra o vandalismo em telefones públicos.
Em 2001, ganhou o prêmio de Melhor Videoclipe de Rap por “Soldado do Morro” no Video Music Brasil. No ano seguinte, lançou o álbum Declaração de Guerra.
Ele é o autor, junto com Celso Athayde, do famoso livro e documentário Falcão – Meninos do Tráfico. O documentário é o mais famoso de sua carreira. Ele conta a história de dezessete meninos envolvidos com o tráfico de drogas e suas vidas em diversas favelas; dos dezessete, apenas um sobreviveu. O sucesso do livro resultou no álbum Falcão, O Bagulho é Doido lançado em 2006.
Como escritor, é autor também do livro Cabeça de Porco, lançado em 2005 e co-escrito por Celso Athayde e Luiz Eduardo Soares.
MV Bill também foi um dos fundadores da Central Única de Favelas, a CUFA, que é responsável por várias atividades sócio-educativas realizadas em várias favelas, entre elas a Liga Brasileira de Basquete de Rua.

MV Bill em foto de Marco Túlio Figueiredo