Brasília – Na eleição mais disputada da história do Brasil e por uma diferença de apenas cerca de 3 milhões de votos, a presidente Dilma Rousseff, do PT, se reelegeu para mais quatro anos de mandato. Com 99% das urnas apuradas, Dilma tem 54.029.544 votos (51,57%), contra 50.739.709 (48,42%) do senador e ex-governador mineiro Aécio Neves, o candidato do PSDB.

Dilma venceu nas regiões norte e nordeste por grande diferença, enquanto Aécio ganhou nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, também por ampla margem, especialmente em S. Paulo – o maior colégio eleitoral do país – em que obteve 15.296.229 votos contra 8.488.342 de Dilma. Com a vitória, o PT vai para o quarto mandato consecutivo completando 16 anos no poder.

Voto dos negros

Dilma obteve grande vantagem entre os negros que representam 55% do eleitorado. Nas últimas pesquisas de opinião, ela aparecia com pelo menos oito pontos percentuais de vantagem sobre o concorrente nessa parcela da população.

Apesar disso, porém, o programa não tratou dos temas de maior interesse da população negra. Apenas no último debate da TV Globo Dilma se referiu na sua última intervenção “aos negros e as mulheres”. Mesmo com o forte apoio, dos setores organizados do movimento – em especial ligados ao PT e ao PCdoB -, as principais lideranças, se limitaram a aderir a candidata do PT, sem apresentar qualquer demanda ou reivindicação, fato que foi apontado como manifestação de “adesismo”.

“Nós somos os únicos que votamos de graça. Nós não exigimos de nenhuma chapa um acerto de aprofundamento das políticas. Enquanto que as empresas, os agricultores, os funcionários públicos, se aglutinam como categorias, nós, simplesmente aderimos. Isso é muito ruim e os apoios mesmo no caso presente, podem se desvanecer se não tivermos propostas”, afirmou Hélio Santos, um dos nomes mais próximos ao PSDB e que nesta campanha, em entrevista a Afropress, apontou “Dilma como a melhor candidata para os negros”.

Na mesma entrevista Santos disse que após as eleições devem ser discutidas as ações afirmativas. “Tudo precisa ser discutido para que seja possível novos avanços”, afirmou.

 

 

Da Redacao