S. Paulo – Estudo sobre o perfil dos alunos inscritos para o Vestibular 2012 da Universidade de S. Paulo, a maior do país e da América Latina – revela que dos 774 matriculados nos 10 cursos mais concorridos, apenas quatro se autodeclaram pretos. Nas três carreiras mais disputadas – Medicina, Engenharia Civil de S. Carlos e Publicidade e Propaganda – ninguém se declarou preto, de acordo com o questionário aplicado pela Fuvest, responsável pelo vestibular.

Os dados revelam que o perfil elitista e branco da maior Universidade, que vem resistindo a implantação de cotas para negros e indígenas, vem se acentuando. No ano anterior, em 2011, 10 pessoas haviam se declarado negras nos 10 cursos de maior prestígio.

Em S. Paulo, pretos e pardos, correspondem a 34,6% (29,1% pardos e 5,5% de pretos) dos 42 milhões de paulistas. S. Paulo é o Estado com maior população negra do país, em números absolutos: cerca de 14,5 milhões de afro-brasileiros. De acordo com o Censo do IBGE 2010, 63,9% dos paulistas se declara branco, 1,4% amarelos e 0,1% indígenas.

Exclusão explícita

Segundo o questionário respondido pelos alunos, menos de um terço dos cursos da USP terá estudantes declaradamente pretos. O de maior quantidade absoluta de pretos é o de licenciatura em matemática/física, com 17 pessoas. Nas exatas, porém, são as que apresentam menor proporção: apenas 1,9%.

Outro estudo divulgado recentemente revelou que este ano, apenas 7,7% dos aprovados pela FUVEST estudaram em escolas públicas, o que representa uma redução em relação ao ano anterior, quando 8,36% dos alunos aprovados eram oriundos do sistema público de ensino.

No total, na USP, só 28,5% do total de ingressantes estudaram em escolas públicas – 71,5% são oriundos de escolas particulares, o que vale dizer que: de cada 3 alunos, dois são de escolas particulares.

Pressão

Os novos dados devem ampliar a pressão sobre o Governo para a adoção de cotas para negros e indígenas nas universidades públicas paulistas. O Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior (PIMESP), vem sendo contestado por setores dos movimentos sociais para quem o projeto mantém o perfil das universidades – branco e excludente.

Segundo a diretora da ADUSP, Lighia Matsushigue, dirigente da Associação dos Docentes da USP (ADUSP) e diretora da regional/SP  da Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior/Sindicato Nacional (ANDES/SN), o problema vem se agravando pela falta de políticas para aumentar as vagas: só 10% das vagas existentes no ensino superior em S. Paulo são públicas; as 90% restantes são oferecidas pelo sistema privado que se retroalimenta no mercado lucrativo dos cursinhos particulares e universidades privadas.

Se mantido o ritmo que os atuais números revelam, segundo analistas, a USP vai demorar 115 anos para ter 50% dos alunos de escolas públicas, isso sem levar em conta os cursos de maior prestígio com Medicina e Engenharia, em que a presença negra hoje é praticamente inexistente.

 

Da Redacao