Mais um jovem é morto na periferia do Rio de Janeiro. Um jovem cheio de sonhos querendo dar um futuro confortável para os seus pais teve seus sonhos aniquilados por um agente de Estado que atirou em Jefferson da Paz Costa de 22 anos, o agente pensou que Jefferson fosse mais um marginal com as mesmas características conforme apresentou a Polícia de São Paulo de um caso que ganhou notoriedade nacional. A policia era obrigada a revistar todos os negros suspeitos de roubar. 

O Boletim foi assinado pelo comandante do Batalhão da policia de Campinas. Jefferson não era de Campinas, mas, era negro. O rapaz já tinha sido pré-julgado pela policia militar do Rio de Janeiro, quando o corpo do rapaz foi achado a PM “encontrou” um revolver próximo ao seu corpo. Isso faz lembrar o ex -secretário nacional de segurança Luis Eduardo Soares ao afirmar a existência de um Kit para incriminar os suspeito de crime. http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/02/jovem-que-morreu-apos-bloco-no-rio-foi-confundido-por-agente-diz-policia.html

Desde do fim da escravidão no século 19, vária tentativas foram e ainda fazem de colocar a população fora da margem da sociedade. Claro, de modo mais discreto, sutil ou mesmo explicito como aconteceu em São Paulo e Rio de Janeiro recentemente. Estamos chegando a uma conclusão de como é duro ser negro neste país. O endividou morre sem saber o motivo e leva a fama de ladrão.

Em recente matéria da Revista Fórum o professor da escola de comunicação (eca) da Universidade de São Paulo, Dennis de Oliveira, pesquisou um relatório da Escola Superior de Guerra (ESG), onde está programado o plano de segurança nacional, dentre ele a defesa da Amazônia e o controle dos bolsões de miséria nas grandes cidades em especial onde irão realizar os principais eventos esportivos e culturais do país, e os menores abandonados. Para um entendedor um pingo é uma letra.

As operações especiais têm nome, endereços certos, sabem quem mora nesses cinturões de misérias e os abandonados que ficam nas ruas.

Está sendo debatida no Congresso Nacional a redução da maior de 18 para 15. Desde já sabemos que o tratamento será desigual e as desigualdades geram frutos de revoltas e tesões, e nesse ínterim surgem as brutalidades de um Estado com seus amparados bélicos e repreensivos. (Faxina étnica – projeto ideológico, ações políticas e interesses econômicos).

Será que estamos diante de uma nova reforma urbana idêntica a de Pereira Passos no início do século XX? Qualquer semelhança não será surpresa.

Tentativas são feitas desde do fim da escravidão para o negro não ser reconhecido com o mesmo. O abolicionista Joaquim Nabuco estava certo, quando dizia que bastava destruir a escravidão e sim a obra, e enquanto estivermos com as nossas mentes escravizadas a onde de extermínios contra os negros e outras minorias (índios, mulheres, Glbt e pobres em geral) passaram ser fatos rotineiros.

A cada dia que leio esse e outros fatos, fico convencido que o Estado brasileiro tem um divida moral com todas as minorias sem vozes do Brasil. O Brasil precisa com urgência encarar o racismo e o preconceito em geral com mais intensidade. Para com o discurso e partir para as ações concretas, não deixaremos para os futuros brasileiros essas heranças que assola a humanidade.

 

Fábio Idalino Nogueira