Todos já viram nos canais de televisão, na internet, nos jornais, as notícias sobre o terremoto que se abateu sobre o Haiti no dia 12 de janeiro, causando, segundo se calcula, cerca de 100.000 mortes e afetando a vida de 3 milhões de pessoas.
Muitos devem também ter lido/ouvido as informações sobre as declarações do Consul (libanês…) do Haiti em São Paulo que atribuiu à religião africana da maioria dos haitianos a culpa pelo catastrófico terremoto.
Além de chorar pelos nossos irmãos mortos, a maioria dos quais não terão a dignidade de receber os devidos rituais para o seu sepultamento, nós precisamos avaliar o que cada um de nós pode fazer para minorar o sofrimento dos nossos irmãos e irmãs sobreviventes.
Cada um precisa refletir sobre o Haiti, um país irmão, que ocupa metade de uma pequena ilha do tamanho de Alagoas, no qual foi realizada a primeira revolução de escravos nas Américas em 1804, na qual nossos irmãos enfrentaram três exércitos: o espanhol, o inglês e o francês, proclamando o fim da escravidão.
Por essa ousadia, foram terrivelmente castigados e tiveram que pagar a peso de ouro a sua independência à França, fato que lhes exauriu em grande medida as suas condições econômicas e financeiras. Depois disso foram explorados por diversos países, que os mantiveram em uma situação de enorme vulnerabilidade.
É fundamental que o nosso Movimento se mobilize e cada um faça a sua parte, através de campanhas que arrecadem recursos ou artigos de primeira necessidade, ou através de informações que combatam a indiferença de grande parcela da sociedade frente ao histórico genocídio do povo haitiano, e pressionem o Parlamento e o Governo a agirem de forma mais efetiva face às nossas responsabilidades à nivel internacional.
Em Guarulhos, onde trabalho, o governo municipal vai discutir na terça-feira as ações que serão realizadas. Vou também buscar mobilizar o FIPIR-São Paulo, Forum Intergovernamental de Políticas de Igualdade Racial que diz respeito pelo menos a 23 cidades do Estado de São Paulo. A CONE – Coordenadoria do Negro na capital São Paulo está também avaliando o que é possível fazer.
É importante que cada um(a), onde estiver, avalie o que é possível ser feito. Somos 190 milhões de brasileiros, se cada um doasse apenas R$ 1,00 arrecadaríamos 190 milhões de reais, mais do que os 100 milhões de dólares doados pelos Estados Unidos.
O Banco do Brasil está arrecadando recursos para a Embaixada da República do Haiti através de todas as suas agências, caixas eletronicos e também pela internet, na seguinte conta:
Banco do Brasil Código do banco: 001
Agência : 1606-3
Conta corrente: 91000 – 7
CNPJ: 04 170 237/0001-71
A Caixa Econômica Federal também lançou uma campanha de ajuda às vítimas do terremoto no Haiti. Os depósitos podem ser realizados em toda a rede da instituição.
As doações serão encaminhadas para o Programa Mundial de Alimentação (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU) e para o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assistência Humanitária.
Os dados da conta da Caixa para doação são:
Agência 0647, Operação 003, Conta: 600-1 em nome do PNUD – Haiti.
Não existe valor mínimo para as doações. O primeiro depósito na conta aberta pela Caixa foi realizado, em Brasília, com a presença da presidente, Maria Fernanda Ramos Coelho, e o representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Eduardo Gutierrez.
Eu já fiz uma doação e apelo a todos os companheiros e companheiras que façam o mesmo, e peçam a todos os seus amigos, colegas de trabalho ou escola, conhecidos, parentes que também façam suas doações. Não importa o valor, faça o que você puder, e tenha a certeza de que ao vencer a indiferença você está contribuindo para que o povo haitiano possa sair dessa tragédia mais rapidamente e recuperar a sua dignidade.
Com o passar dos dias outras ações poderão também ser organizadas, como a coleta de artigos de primeira necessidade e alimentos, precisamos saber informações acerca dos meios de envio para o Haiti. Profissionais e voluntários certamente são necessários e teremos que obter informações.
No momento, precisamos enfrentar a situação de emergência, e nossos irmãos precisam de recursos, de água, de comida, de remédios. Na sequência deveremos acompanhar os debates acerca da situação política e econômica que colocou o povo haitiano em situação de tamanha vulnerabilidade, com a quase ausência de instituições do Estado.
Envio-lhes abaixo mensagens enviadas por uma companheira da Rede de Mulheres Negras da América Latina e Caribe, sobre a situação atual no Haiti, e um companheiro do movimento de Direitos Humanos, ambos da República Dominicana, sobre ações que estão sendo organizadas para ajudar os nossos irmãos e irmãs haitianos.
Que em 2010 possamos nos manter unidos e organizados para enfrentar os desafios que confrontam o nosso povo e possamos ter paz, saúde e alegria.
Não chore pelo Haiti: aja!! Faça a sua doação!!
Matinjâlo!!
Edna Roland

Edna Roland