S. Paulo – O promotor de justiça Antonio Ozório Leme de Barros, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Cidadania do Estado de S. Paulo, disse que não é possível mais negar a existência de racismo no Brasil e que a sociedade deve tomar uma posição. “Não é possível mais negar a existência do racismo no Brasil. Todos os estudos apontam nitidamente um caráter discriminatório em relação à população afrodescendente. Talvez a forma mais perversa de racismo consista justamente em se tentar negar sua existência”, afirmou.
Antonio Ozório lembrou a desigualdade de renda, evidente no fato de que, embora representando 46% da população brasileira, a população negra representa 66% dos pobres e 69% dos indigentes, segundo os indicadores oficiais.
“A população negra vive em situação de marginalização social e econômica com enormes dificuldades de acesso aos direitos fundamentais, sobretudo à Educação. Esse problema se agrava, sobretudo, no acesso a Universidade e se reflete no acesso aos empregos e aos maiores níveis de remuneração”, acrescentou.
Segundo ele, a discriminação se reflete em todos os setores da sociedade. O Ministério Público paulista, por exemplo, tem em seus quadros 1.700 promotores e procuradores – que é o estágio mais elevado da carreira. Destes menos de 1% – cerca de 15 – são afrodescendentes.
Por todas estas razões Antonio Ozório destaca a importância da Audiência pública que acontece nesta sexta-feira, 10/02, das 10h às 12h30, no Centro de Apoio da Cidadania (à Rua Riachuelo, 115, 7º andar, salas 726/730, Centro. A audiência tem como objetivo ouvir a sociedade para levantar subsídios e propostas que serão encaminhadas a uma Comissão encarregada de apresentar estudos e sugestões para uma Ação do Ministério Público no campo das ações afirmativa e é aberta a participação de autoridades, lideranças de entidades não governamentais e pessoas interessadas em discutir o assunto e apresentar propostas e sugestões.
* Na foto da capa o Procurador Geral de Justiça Rodrigo César Rebello Pinho.

Da Redacao