Forte-de-France/Martinica – A diáspora africana perdeu nesta quinta-feira (17/04), o poeta franco-caribenho Aimé Césaire. Césaire, a principal voz do Movimento Negritude, morreu aos 94 anos, em um Hospital de Fort-de-France, onde estava hospitalizado havia uma semana por causa de problemas cardíacos.
O poeta foi, ao lado do senegalês Léopold Senghor, e Léon-Gontran Damas, da Guiana, o principal líder da corrente Negritude, um movimento político e literário criado nos anos 30 para combater o colonialismo e o racismo na França. Ele dedicou toda a sua vida à poesia e à política, tendo sido, durante 56 anos (1945-2001), presidente da Câmara de Fort-de-France e deputado de 1945 a 1.993.
Quando completou 94 anos, em 2007, o presidente da França, Nicolas Sarkozya o homenageou apelidando-o de “homem de acão”, “portador de uma mensagem de paz, de tolerância e abertura”, numa carta tornada pública pelo Eliseu.
Contudo, a relação entre o poeta e Nicolas Sarkozy não foi fácil. Em 2005, Aimé Césaire recusou encontrar-se com o então ministro do Interior numa viagem de Sarkozy às Antilhas, que depois viria a ser anulada.
O poeta franco-caribenho ficou famoso com o livro de poemas “Cahier d’un Retour au Pays Natal” (“Caderno de Retorno à Terra Natal”, em tradução livre), escrito no fim dos anos 1930, no qual dizia: “minha negritude não é uma torre ou uma catedral, ela mergulha na carne vermelha do solo”. Seus poemas expressam a degradação do povo negro no Caribe e descrevem a redescoberta de uma identidade africana.

Da Redacao