Nova York/EUA – Neste domingo, 07 de outubro, dia em que mais de 140 milhões de brasileiros vão às urnas nas eleições municipais, um brasileiro com dupla cidadania se prepara para entrar de corpo e alma na campanha à reeleição do Presidente dos EUA, Barack Obama.
Edson Cadette, 51 anos, um paulistano da Zona Leste, correspondente de Afropress em Nova York desde 2006, participa pela segunda vez como militante da campanha do democrata. Em 2008, ele fez parte de um batalhão de voluntários de vários sindicatos que engrossaram o “Yes, we can” (Sim, nós podemos), o mote da primeira campanha de Obama que contagiou multidões e se espalhou pelo mundo.
Agora, Cadette , que exerce funções administrativas no Sindicato dos Porteiros, Lavadores de Janelas dos Edifícios de Nova York – o 32 BJ – conta que, diferente da campanha anterior, a crise na economia que teve como epicentro os EUA e se espalhou pelo mundo, com desemprego superior a 8%, tornou o eleitorado americano mais pragmático.
Caravana
No primeiro domingo deste mês, Cadette se juntou ao grupo de mais de 200 ativistas que destacados para engrossar a campanha na cidade de North Filadelfia. A caravana saiu da sede do Sindicato, em Nova York, em três ônibus lotados e, antes de começar o corpo a corpo, casa por casa, marcou presença na Universidade da Pensilvância para um protesto contra os baixos salários dos seguranças. Ele era o único brasileiro num batalhão em integrado, na sua maioria por latinos, especialmente, porto-riquenhos e jamaicanos.
Durante todo o dia, foram visitadas cerca de 12.500 casas, de moradores, na sua maioria afro-americanos e latinos, além de imigrantes do Leste Europeu.
No próximo domingo, dia 13/outubro, o correspondente de Afropress retoma a rotina dos mutirões pró-Obama, desta vez no Estado da Pensilvânia, em cidade e área a ser definida pelo comitê de campanha organizado pelo Sindicato até 06 de novembro, dia das eleições.
“Eu, particularmente me sinto bem satisfeito. Apesar de não ter a mesma atmosfera de 2008, me sinto cidadão. Nunca fiz campanha de porta em porta no Brasil. Acho que, no Brasil, nós ainda não temos muita consciência de cidadania. Não temos ainda essa consciência de cobrar. Mas aqui, é diferente. Eu posso cobrar dele [Obama]. Eu me sinto cidadão, me sinto respeitado. O Presidente Barack Obama respeita o Edson Cadette como cidadão”, afirma.
Cadette, que deixou a Zona Leste de S. Paulo para viver nos EUA há mais de 20 anos atrás de oportunidades de trabalho e novos horizontes na vida, trabalha na função de assistente de compras do Sindicato há alguns anos.
Ele adquiriu dupla cidadania em 2007 e conta que o clima desta eleição é bem diferente da anterior, conforme pode sentir ao bater de porta em porta no mutirão em North Filadelphia. “O clima é mais realista, mas preferem apoiar o Obama do que o Romney”, assinala.
Mutirão
A maior parte das casas visitadas é habitada por trabalhadores de baixa renda – até 12 mil dólares/ano -, em geral desempregados e beneficiários de Programas sociais do Governo. Segundo o correspondente de Afropress, a maioria se mostra preocupada com as eleições porque sabe que se o candidato republicano assumir os benefícios serão cortados.
Além de pedir votos, Cadette conta que o trabalho é também de orientação a respeito dos documentos que os eleitores devem portar para exercer o direito de voto. “A Pensilvânia exige um documento comprovando a identidade da pessoa – carteira de habilitação ou passaporte – para votar”, acrescenta.
Sobre a receptividade, ele disse que, no geral, as pessoas recebem bem e a preferência por Obama é manifestada com frequência pelas pessoas abordadas. “O que mais ouvi é que os republicanos estavam tentando manipular para evitar o voto dos afro-americanos. Na comunidade afro-americana a aceitação a Obama sempre foi alta”, afirma.
Ele relatou o caso de uma senhora de 93 anos que fez questão de aparecer na porta de uma das casas durante o mutirão para garantir que fazia questão de votar em Obama.
Na campanha de 2008, Cadette, que tem uma filha nascida nos EUA, ao celebrar a vitória disse: “Quando escreverem o capítulo da história mundial sobre as eleições norte americanas de 04 de novembro de 2.008, poderei dizer aos meus netos que eu contribuí para a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América”.
Se Obama, que é favorito na disputa, vencer – mesmo após o desempenho considerado um fiasco por institutos de pesquisa no debate com Mit Romney, ocorrido na quarta-feira – Cadette destaca que terá mais algumas boas histórias desta campanha para contar aos netos.

Da Redacao