Hédio, agora candidato a deputado federal, pelo PFL, articula as propostas de um programa do povo negro para a candidatura do presidenciável Geraldo Alckmin, do PSDB.
Afropress – A coluna “Mônica Bergamo” informa, na edição da Folha (edição de 19/06), que um grupo de intelectuais e empresários negros, liderados pelo senhor se reuniu, na semana passada com o candidato a presidente e ex-governador Geraldo Alckmin para fazer propostas “endereçadas ao eleitorado negro”. Quais foram as principais propostas encaminhadas por esse grupo?
Hédio Silva Jr. – As propostas, nós estamos ainda desenhando, alinhavando idéias. Estamos programando dois outros eventos de caráter nacional com a participação de diferentes setores da comunidade negra, envolvendo a Academia, militância, ativistas, em que vamos ouvir propostas. A idéia é que seja uma elaboração coletiva, expressando a posição do conjunto das entidades negras.
Afropress – Quais, na sua opinião, devem ser as principais propostas a serem encaminhadas?
Hédio – O teor básico do que estamos fazendo é estabelecer um diálogo com o governador. Nós devemos investir mais, tanto no diálogo, quando na relação dele com a comunidade negra. Tenho dito a ele que nós temos em S. Paulo um conjunto de realizações, de medidas executadas que põe S. Paulo em lugar de vanguarda no Brasil. As quarenta e quatro comunidades de quilombos do Estado estão reconhecidas e serão tituladas, todas. O que sinto é que há uma carência de atenção muito grande com a comunidade negra. As medidas foram todas conquistas do Movimento Negro na luta contra o racismo. É preciso que o Poder Público esteja mais presente. Tenho dito muito isso ao governador.
Afropress – Como o senhor vê a participação da comunidade negra nas eleições deste ano? Lula aparece muito à frente em relação ao candidato Alckmin. O senhor acha que é possível reverter essa vantagem?
Hédio – Eu não tenho dúvidas de que quem fará a diferença nestas eleições será o eleitorado negro. A campanha do governador Geraldo Alckmin precisa dialogar com a comunidade negra. Com isso, não tenho dúvidas de que será possível reverter essa situação.
Afropress – Como o senhor vê a proposta de composição de uma Lista Negra de candidatos, independente de partidos, credo religioso e posição ideológica?
Hédio – Considerando que a população negra de S. Paulo representa cerca de 35%, se se levar em conta o cálculo aritmético S. Paulo pode fazer 21 deputados negros, das 70 cadeiras a que o Estado tem direito na Câmara Federal. Se os candidatos negros trabalharem exclusivamente neste segmento há espaço para 21. Agora é preciso saber dos candidatos qual a folha de serviços prestados. Se o sujeito apóia a luta contra o racismo apenas em períodos eleitorais… Não dá pra equiparar todos os candidatos. É preciso saber onde estavam, o que fizeram, quais as iniciativas concretas. Promessa não vale.
Considero positivo que haja uma lista porque há espaço para todo o mundo, porém, desde que se observe o que fez cada candidato antes de ser candidato, quais as iniciativas concretas.
No meu caso, por exemplo, tenho 27 anos de militância e não posso dizer que apóio o Movimento Negro. Eu sou produto do Movimento Negro.